Frases de Santos

Homilia › 17/02/2021

“Senhor, … minha vida é como um nada diante de vós” (Sl 39,6)

 

 

A quarta-feira de cinzas abre um tempo especial na liturgia, a Quaresma, período no qual somos chamados a nos preparar para a Páscoa, mediante uma profunda revisão de vida e conversão. Pois o senhor nos chama à conversão.

“És pó e em pó te hás de tornar” (Gn 3,19). estas palavras pronunciadas pela primeira vez por Deus e dirigida a Adão, em consequência do pecado cometido, repete-se hoje a Igreja a cada cristão, para nos lembrar três verdades fundamentais: o nosso nada, a nossa condição de pecador, e a realidade da morte.

O pó – a cinza colocada sobre a cabeça dos fiéis – que não tem consistência alguma, bastando um leve sopro de vento para dispensá-lo, manifesta claramente o nada do homem. “Senhor, … minha vida é como um nada diante de vós” (Sl 39,6) exclama o salmista.

As cinzas nos indicam que nosso corpo mortal veio do pó e para o pó voltará. Portanto, é um pedido para tomarmos consciência da nossa transitoriedade, da nossa pequenez e de quão efêmera é nossa vida neste mundo.

Tomando consciência disso, não teremos atitudes tão mesquinhas, tão arrogantes, como se fôssemos eternos neste mundo ou superiores aos outros.

As cinzas têm a função de abrir nosso coração para a prática da misericórdia, fazendo obras de caridade, de tornarmos mais humildes. Sendo mais humildes, com certeza nos relacionaremos melhor com nossos irmãos e com Deus.

É este o propósito deste rito penitêncial de abertura da Quaresma. As cinzas que recebemos na cabeça não é uma poção mágica, que cura, apaga nossos pecados ou que por si só purifica. Ela é apenas um símbolo, um sinal que identifica algo muito mais importante: O caminho da Conversão.

“Isto diz o senhor: ‘voltai a mim de todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos de luto. rasgai vossos corações e não vossas vestes’” (Jl 2, 12-13). O elemento essencial da conversão é propriamente a contrição do coração: o coração dilacerado, esmagado pelo arrependimento dos pecados. De fato, a contrição sincera inclui o desejo de mudar de vida e leva, na prática, a tal mudança. ninguém está isento desta obrigação! cada pessoa, até a mais virtuosa, tem sempre necessidade de converter-se, isto é, de voltar-se para Deus com maior intensidade e fervor, superando as fraquezas e misérias que diminuem sua orientação total para ele.

A Quaresma é justamente o tempo clássico desta renovação espiritual: “Eis o momento favorável, eis o dia da salvação” (2Cor 6,2), adverte São Paulo. compete a cada um de nós fazer dela um momento decisivo para nossa história de salvação.

Não somente quem está em pecado mortal precisa reconciliar-se com o Senhor. Cada falta de generosidade, de fidelidade à graça impede a amizade íntima com Deus, esfria as relações com ele, é uma recusa de seu amor e exige, portanto, arrependimento, conversão, reconciliação.

Jesus no evangelho de hoje (Mt 6, 1-6.16-18) indica os grandes meios que devem sustentar os esforços da conversão: a esmola, a oração, o jejum; insiste sobretudo nas disposições interiores que os torna eficazes. A esmola expia os pecados; a oração une o homem a Deus e impetra a sua graça; o Jejum é sacrifício agradável a Deus.

Estes três elementos têm a finalidade de nos colocar em sintonia com nosso próximo, com Deus e com nós mesmos. Sem sintonia nestas três dimensões não é possível uma verdadeira conversão.

Porém elas não podem ser praticadas de qualquer jeito, apenas por interesse. Deve ser algo que vem do fundo do coração e praticado sem alardes, em silêncio, como recomenda o evangelho de hoje.

A esmola significa a caridade, a solidariedade, o compromisso com o próximo. Quem consegue se compadecer do sofrimento alheio já deu um importante passo no processo de conversão, pois quem se compadece faz algo em prol do outro que sofre. Quem se compadece compartilha. Quem compadece pratica obras de caridade.

Esta prática de caridade, reparadora, resultada da conversão, é algo que se faz sem que os outros saibam, somente Deus.

A Quaresma é um tempo oportuno, favorável para a oração. A oração é a maneira mais eficaz de nos colocarmos em sintonia com Deus. Quem não reza ou não leva uma vida de oração torna ineficaz a ação que pratica, por mais grandiosa que ela seja.

A Quaresma É um período de recolhimento, ocasião apropriada para retiros espirituais e orações mais aprofundadas. Não é uma oração de aparência, para que os outros vejam que estamos rezando. Nossa oração até pode ser pública, mas não com objetivo de vanglória.

A oração que chega a Deus é a oração que brota da sinceridade do coração convertido ou que nutre um profundo desejo de conversão. Precisamos nos apresentar diante de Deus sem máscaras, precisamos estar diante de Deus com a alma e o coração nus, sem querer encobrir erros, falhas e pecados, revela-se a sinceridade do coração e das intenções, porque Deus sabe quem cada um é e o que se pretende.

Jejum significa penitência, e penitência significa desejo de conversão. Não se deve fazer penitência simplesmente por fazer ou por achar que Deus gosta de ver as pessoas sofrendo. Não é nada disso. Toda penitência deve ser um propósito de mudança de vida, de reparação de um erro e de profundo desejo de conversão.

Por exemplo, quando alguém se priva de algo que aprecia muito, com o propósito de conversão, toda vez que sentir a falta daquilo de que se privou terá consciência de que está fazendo aquilo para reparação da falta. É um ato que tem um objetivo a ser atingido. Desta forma pode-se obter a conversão…

A Quaresma é um momento oportuno para nos revermos e buscarmos uma autêntica mudança de atitudes. Aproveitemos este tempo para nos reconciliarmos com Deus e com nossos irmãos, praticarmos obras de caridade e misericórdia, levando uma vida mais intensa de oração e olhando mais para dentro de nós mesmos. Antes de olharmos as falhas e defeitos dos outros.

Não podemos nos esquecer ainda que o tempo da Quaresma é também o tempo de Nossa Senhora, a mulher do Apocalipse que se retirou para o deserto, a fim de vencer o dragão, a serpente maligna que pretendia devorar seu Filho. Peçamos, pois, o auxílio da Mãe Divina e vivamos esses quarenta dias na expectativa de novos céus e nova terra, no dia da ressurreição.

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