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Formação › 21/06/2020

Relação Homem e Deus: Acesso à realidade de Deus, Parte II

Em relação ao diálogo com o “Tu” podemos dizer que “a aliança e o diálogo entre Deus e o homem são ainda confirmados pelo fato de que todas as obrigações são enunciadas na primeira pessoa (“Eu sou o Senhor…”) e dirigida a um outro sujeito (“tu…”). Em todos os mandamentos de Deus, é um pronome pessoal singular que designa o destinatário. Deus dá a conhecer sua vontade a cada um em particular, ao mesmo tempo que o faz inteiro”[1]. Ao mesmo tempo que o chamado é pessoal, ou seja, individual, existe um chamado comunitário, pois a partir do momento que Deus passa a cuidar e dirigir Israel, Deus o escolhe como povo, e conforme Ele vai se revelando a Israel na sua glória (Cf. Ex 40,34s), ele se revela como Deus de Israel conforme a promessa. (Cf. Gn 17,7)

Não é fácil citar um único evento como sendo centro de todos os outros em meio a multiplicidade de revelações veterotestamentarias. Por exemplo, temos: a revelação do nome de Deus em êxodo 3; a libertação do Egito em Êxodo 5-15; o estabelecimento da aliança em Êxodo 19-24; a ocupação da terra em Js 2-11[2]. Com isso, podemos notar que nestes relatos de encontros determinantes de Deus com Israel existe um chamado e uma exigência de comunhão com Deus de forma permanente[3].

No Primeiro Testamento encontramos inúmeros testemunhos da revelação de Deus a seu povo, mas também, temos vários exemplos onde relatam o encontro de Deus com seu povo no santuário, lugares fixos, abençoados pela presença de Deus, onde Ele mostra sua glória, e no sacrifício de seu povo a Ele, Ele é objeto de ação de graça e de pedido de perdão[4].

Deus manifestou-se a seu povo, no Primeiro Testamento, de diversas maneiras, entre elas Deus falou por meio de visões, da audição ou do sonho, por inspiração, nos mensageiros, Ele é reconhecido (Cf. Gn 16,7; 18,2; 48,16). Quando nos aprofundamos na história da Salvação, também podemos notar que o homem, desde sua origem até os dias de hoje, tem buscado a Deus de diversas maneiras, por meio de suas crenças, de seus comportamentos religiosos, orações, sacrifícios, cultos, meditações e outros[5].

Também, podemos notar que o Primeiro Testamento “não nos dá somente a ‘palavra’ com seu valor de ‘anúncio’ voltado para o futuro, mas também nos apresenta ‘ritos’ com valor de ‘representação’ cultual do acontecimento passado já conhecido, através da ‘palavra’, como acontecimento operado por Deus pela salvação de seu povo”[6]. O rito surge da Palavra que por natureza anuncio e se realiza, pois, o rito torna a palavra atual em nível cultual[7].

Para o povo de Israel um dos meios para cultuar o Deus Verdadeiro, é o memorial da ceia pascal, ou seja, o memorial da Páscoa. Em êxodo 12 temos o relato da instituição da ceia pascal com alguns elementos importantes como, por exemplo, a imolação do cordeiro e a festa dos pães ázimos. O povo de Israel acrescentou o sentido da libertação e saída do Egito (êxodo e aliança de Javé no Monte Sinai), que se transformou no memorial da salvação manifestada por Deus em favor de seu povo[8].  Para os judeus, a ceia pascal é um sacramento, ou seja, um sinal. Também podemos perceber que se trata de uma celebração, de um recordar, ou seja fazer memória da salvação operada por Deus em favor de seu povo, que transformou-se em referência para teologia e espiritualidade judaica[9].

Concluímos que a experiência vivida ao longo da história não é um mero acaso, ou algo que se realiza automaticamente.  A história deve ser realizada no encontro de Deus com os homens, no encontro dos homens com Deus, no encontro dos homens entre si[10]. É preciso ter em mente que a revelação de Deus por meio da criação é vista e não crida[11]. Ao longo da história da salvação existe um profundo relacionamento de Deus com o Homem e do Homem com Deus.

 

Leia Também:

 

8º – Relação Homem e Deus: Acesso à realidade de Deus, Parte I

 

7º – A ação reveladora de Deus na História da Salvação, Parte II

 

6º – A ação reveladora de Deus na História da Salvação, Parte I

 

5º – A Criação como origem permanente da Salvação, Pate II

 

4º – A Criação como origem permanente da Salvação, Pate I

 

3º – Homem e Mulher os Criou (Gn 1,27)

 

2º – Manifestação do amor de Deus por meio da criação

 

1º – Liturgia: Mistério Pascal na história da salvação

 

[1] CAT n. 2063.

[2] Cf. Johannes B. BAUER, Revelação, In Dicionário de Teologia Bíblica, Vol. II, 1973, p. 992-993.

[3] Cf. Idem, p. 993.

[4] Idem, p. 993.

[5] Cf. CAT n. 28.

[6] S. MARSILI; J. PIMENTELL; A. M. TRIACCA; T. FEDERICI; A. NOCENT; B. NEUNHEUSER, Panorama Histórico geral da Liturgia, 1986, p. 11. (Anáminesis 2).

[7] Cf. Ibidem.

[8] Cf. José ALDAZÁBAL, A Eucaristia, 2012, p. 46.

[9] Cf. Idem,  p. 49.

[10] Cf. MyS I/1, p. 211.

[11] Cf. MyS I/1,  p. 193.

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