Frases de Santos

Homilia › 09/04/2020

Reflexão para Quinta-feira Santa

 

A celebração do mistério pascal, centro e vértice da história da salvação, abre-se com a missa da quinta-feira santa, que comemora a Ceia do Senhor, a Instituição da Eucaristia. A liturgia da palavra traz como tema central a memória. Não como uma simples lembrança, mas no sentido teológico, de viver e reviver algo medular da nossa fé: Mistério de um Deus que dá a vida por nós para que façamos o mesmo.

As leituras trazem a dimensão da ceia pascal. Recordando a instituição da páscoa antiga no trecho do Êxodo 12,1-8; 11-14, ou seja, a leitura faz memória da saída do Egito, a páscoa judaica, em que o povo hebreu, conduzido por Moisés, do início aos ritos a passagem da escravidão para a terra prometida. Deus ordena a cada família do povo hebreu a imolarem um cordeiro perfeito, com o sangue tingirem as portas das casas para que fossem poupadas do extermínio dos primogênitos e, logo após comessem do sacrifício. Aqui já vemos a prefiguração do mistério pascal de Jesus, o Cordeiro sem mancha.

Jesus, escolhe a páscoa judaica para instituir a nova Páscoa, a sua Páscoa. Onde ele se oferece como um cordeiro, o Cordeiro perfeito, imolado pela salvação do mundo. Nesta ultima ceia de Jesus com Seus Discípulos, inicia-se um novo rito.

Paulo na carta aos Coríntios que lemos hoje, fala da instituição da Eucaristia. “Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu e disse: ‘Isto é o meu corpo que é dado por vós…’ Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: ‘Este cálice é a nova aliança, em meu sangue’.” Aquele pão e aquele vinho, milagrosamente transformados no Corpo e Sangue de Senhor. Era o anúncio e a antecipação da morte do Senhor, na qual ele iria derramar todo o Sangue; e hoje, seu memorial vivo. “Fazei isto em memória de mim. São Paulo nos apresenta a eucaristia, quando nos diz: “Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estarei proclamando a morte do senhor, até que ele venha” (1 Cor 11,26).

Mais do que uma coisa santa, do que uma maneira de louvor divino e de santificação, antes de ser um alimento de eternidade, uma refeição em que se estreitam os laços da comunidade, fundamentalmente a Eucaristia é uma vinda pessoal do Cristo Pascal.

A Eucaristia é, ao mesmo tempo, presença e sacrifício. Portanto, podemos afirmar que a Eucaristia é o sacramento do amor porque, em primeiro lugar, significa e realiza o sacrifício da Cruz na forma de ceia pascal. Cordeiro sem mancha, se faz alimento para aqueles que o seu sacrifício resgatará, “deixando-nos assim a presença real de um amor que nunca acaba e de um sacrifício que todos os dias se renova. Pois todas as vezes que, em memória de sua Paixão, celebramos o rito que Ele hoje institui, é o mesmo Sacerdote que oferece, é a mesma Vítima que é oferecida, é o mesmo sacrifício que é realizado. É um só e mesmo sacrifício o que na Cruz foi oferecido e o que na Missa se oferece, pois a mesma Hóstia é imolada: na Cruz de forma cruenta; em nossos altares sem as dores da crucifixão.”(Padre Paulo Ricardo).

O Catecismo da Igreja Católica afirma: “Cristo Jesus, aquele que morreu, ou melhor, ressuscitou, aquele que está à direita de Deus e que intercede por nós (Rm 8,34), está presente de múltiplas maneiras em sua Igreja: em sua Palavra, na oração de sua Igreja, lá onde dois ou três estão reunidos em meu nome (Mt 18,20), nos pobres, nos doentes, nos presos, em seus sacramentos, dos quais ele é o autor, no sacrifício da missa e na pessoa do ministro. Mas sobretudo está presente sob as espécies eucarísticas” (n. 1373).

“É verdade que o Senhor Jesus, na força do seu Espírito, está presente de modos variadíssimos na sua Igreja, mas, sobretudo, de um modo eminente, ele se faz presente no pão e no vinho consagrados na Eucaristia. Ali, já não está presente simplesmente a graça do Cristo, mas, pessoalmente, o próprio Autor da graça! Ele, que na Última Ceia se entregou no pão e no vinho, dizendo “isto é o meu Corpo, isto é o meu Sangue”, é aquele mesmo que havia antes prevenido de modo solene: “Em verdade, em verdade, vos digo: ‘Aquele que crê tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida! A minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue é verdadeiramente uma bebida” (Jo 6,47s.55). Sendo assim, se em todos os sacramentos, Jesus Cristo atua através de sinais sensíveis que, sem mudarem de natureza, adquirem uma capacidade transitória de santificação, na Eucaristia, ele está presente com o seu corpo e sangue, alma e divindade, dando ao homem toda a sua pessoa e a sua vida, tudo quanto viveu entre nós amorosamente, até o extremo da entrega na cruz. Tudo isso está presente no pão e no vinho consagrados”.   (Dom Henrique Soares).

Como Sacramento de amor, jesus deixa para a igreja seu testamento do amor: o seu novo mandamento. “Eu vos dou um novo mandamento, amai-vos uns aos outros como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”. (Jo, 13,34).

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