Frases de Santos

Homilia › 23/01/2021

Purificará a nossa consciência das obras mortas

 

Sábado da II Semana do Tempo Comum

A presença e a atividade de Jesus adquirem notável ressonância. Mas essa ressonância não leva necessariamente à fé. Jesus tem de enfrentar as primeiras recusas, a começar pela dos seus familiares que decidem tomar medidas drásticas contra as vergonhas que ele estava causando, pois diziam: “Está fora de si!” (Mc 3, 21). A consanguinidade não é suficiente para criar sintonia com o Evangelho. Jesus vive o dom total de Si mesmo para com todos. Os seus familiares, em vez de O apoiarem e seguirem, querem impor-Lhe bom senso, prudência humana. No fundo estamos perante a mesma questão de sempre: ou seguir Jesus, doando-nos sem cálculos nem reservas, ou tentar tomar conta d´Ele de qualquer modo, como fizeram os seus inimigos, para O dobrarmos aos nossos interesses mesquinhos.

Ao acusar Jesus de estar fora de si, era uma forma de desacreditar e desqualificar a sua missão, porém não era isso que iria ocorrer. Jesus incomodou muitos, não apenas as autoridades, mas também a própria família.

Na verdade, Jesus estava “fora de si” (Mc 3, 21). S. Paulo fala-nos da “loucura da cruz” (1 Cor 1, 18), uma loucura de amor, uma loucura fecunda. Depois de Jesus, quantos de seus discípulos foram acusados de loucos por desprezarem a sabedoria deste mundo e se entregarem completamente à sabedoria da cruz, oferecendo-se inteiramente a Deus e ao serviço dos irmãos. Veja São Francisco de Assis, em São João Paulo II, em Santa Irmã Dulce dos Pobres. A loucura da cruz, como diz São Paulo, é mais sábia que a sabedoria racional dos homens, porque é uma loucura que vem do amor e que, portanto, salva.

A Carta aos Hebreus fala-nos do dom total de Si mesmo feito por Jesus Cristo. Jesus, animado por um “Espírito eterno, ofereceu-se a si mesmo a Deus, sem mácula” (Hb 9,14). Jesus realizou a oblação perfeita de Si mesmo, uma oblação bem diferente das oblações do culto antigo, antes referido. Jesus entrou no santuário, “não com o sangue de carneiros ou de vitelos, mas com o seu próprio sangue” (Hb 9,12). Oferecer coisas externas é relativamente fácil; oferecer a si mesmo é mais difícil. Jesus mostrou-nos este caminho: não ofertas externas, mas ofertas pessoais. Oferecer a si mesmo, pôr-se à disposição do amor de Deus, para o serviço dos irmãos e das irmãs, até ao ponto de pôr em perigo a própria vida, se for necessário!

Portanto, mesmo em meios as incompreensões, Jesus pôde fazer esta oferta pessoal perfeita porque não tinha qualquer mancha, era imaculado, perfeitamente íntegro. Por outro lado, pôde oferecer-Se a Si mesmo porque tinha uma generosidade inspirada pelo Espírito Santo: “pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo a Deus” (Hb 9, 14). A sua oblação transformou o sangue derramado em sangue de aliança, em sangue que purifica e santifica. O sangue de Cristo, graças a esta oblação, “purificará a nossa consciência das obras mortas” e pôr-nos-á em condições de “prestarmos culto ao Deus vivo!”

 

 

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