Frases de Santos

Artigos › 12/06/2020

Profecia de Ratzinger

 

Padre Joseph Ratzinger atual Papa Emérito Bento XVI, logo após o término do Concílio Vaticano II. Em um contexto de crise de fé e revolução cultural. Olhando de forma geral para Igreja, Padre Ratzinger via nos “sinais dos tempos” um presságio do processo de simplificação que o catolicismo teria de enfrentar nos anos seguintes.

A partir das evoluções dos acontecimentos, ao olhar para o futuro da Igreja, Ratzinger, via uma Igreja pequena, forçada a abandonar importantes lugares de culto e com menos influência na política. Esse era o perfil que a Igreja Católica viria a ter nos próximos anos. O teólogo, percebia que a fé católica iria passar por um período similar ao do Iluminismo e da Revolução Francesa, época marcada por constantes martírios de cristãos e perseguições a padres e bispos, que culminaram na prisão de Pio VI e sua morte no cárcere em 1799. A Igreja estava lutando contra uma força, cujo principal objetivo era aniquilá-la definitivamente, confiscando suas propriedades e dissolvendo ordens religiosas.

O jovem Joseph Ratzinger também apresentava um balanço positivo da crise. Afirmava que desse período resultaria uma Igreja mais simples e mais espiritual, na qual as pessoas poderiam encontrar respostas em meio ao caos de uma humanidade corrompida e sem Deus.

A Igreja diminuirá de tamanho. Mas dessa provação sairá uma Igreja que terá extraído uma grande força do processo de simplificação que atravessou, da capacidade renovada de olhar para dentro de si. Porque os habitantes de um mundo rigorosamente planificado se sentirão indizivelmente sós. E descobrirão, então, a pequena comunidade de fiéis como algo completamente novo. Como uma esperança que lhes cabe, como uma resposta que sempre procuraram secretamente. (livro “Fé e Futuro”)

Em 2011, Bento XVI reafirma seu ponto de vista em um de seus discursos feitos para os trabalhadores católicos em Freiburg, durante viagem apostólica à Alemanha. Citando Madre Teresa de Calcutá, o Santo Padre constatava uma considerável “diminuição da prática religiosa” e “afastamento duma parte notável de batizados da vida da Igreja” nas últimas décadas. O Santo Padre se perguntava: “Porventura não deverá a Igreja mudar? Não deverá ela, nos seus serviços e nas suas estruturas, adaptar-se ao tempo presente, para chegar às pessoas de hoje que vivem em estado de busca e na dúvida?”

A Igreja precisa mudar sim, mas essa mudança deveria partir do próprio eu. “Uma vez alguém convidou a Santa Madre Teresa a dizer qual seria, segundo ela, a primeira coisa a mudar na Igreja. A sua resposta foi: tu e eu!”, ensinou. Bento XVI pedia no discurso uma reforma da Igreja que se baseasse na “desmundanização”, corroborando o que explicou em outra ocasião a um jornalista, durante viagem ao Reino Unido no dia 16 de setembro de 2010, sobre como a Igreja deveria fazer para agradar ao homem moderno:

Diria que uma Igreja que procura sobretudo ser atraente já estaria num caminho errado, porque a Igreja não trabalha para si, não trabalha para aumentar os próprios números e, assim, o próprio poder. A Igreja está a serviço de um Outro: não serve a si mesma, para ser um corpo forte, mas serve para tornar acessível o anúncio de Jesus Cristo, as grandes verdades e as grandes forças de amor, de reconciliação que apareceu nesta figura e que provém sempre da presença de Jesus Cristo. Neste sentido a Igreja não procura tornar-se atraente, mas deve ser transparente para Jesus Cristo e, na medida em que não é para si mesma, como corpo forte, poderosa no mundo, que pretende ter poder, mas faz-se simplesmente voz de um Outro, torna-se realmente transparência para a grande figura de Cristo e para as grandes verdades que ele trouxe à humanidade.

Em seu discurso de renúncia o Papa Bento XVI fala de uma purificação da ação pastoral da Igreja diante do homem moderno, de forma que ela se livre dos ranços apregoados pelo modernismo. Trata-se de conservar a fiel doutrina de Cristo e apresentá-la de modo transparente e sem descontos. A Igreja enquanto tal é santa e imaculada. Mas seus membros carecem de uma constante conversão e é neste sentido que a reforma deve seguir. A Igreja precisa estar segura de sua própria identidade, a qual está inserida na sua longa tradição de dois mil anos. Caso contrário, toda reforma não passará de uma reforma inútil.

 

Via: padrepauloricardo.org

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