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Catequese › 02/12/2020

Preguiça

 

Preguiça ou acídia é um pecado que significa torpor, desânimo, abatimento, ócio e inquietude. Este pecado em nós se manifesta na incapacidade de agir, de pensar, de rezar, de meditar, pois se tornam necessários contínuos estímulos externos.

Nas pessoas que se distraem continuamente, é até difícil perceber a Preguiça. Ela se manifesta em ocasiões em que temos que enfrentar situações especiais. A preguiça é a aversão ao trabalho, ao esforço para solucionar os problemas, à oração e à meditação a preguiça deixa sempre para depois.

A Preguiça está conectada com a sensualidade porque procede do amor do prazer, na medida em que nos inclina a evitar o esforço e o incomodo.

Há diversos graus de preguiça: a) O desleixado ou indolente não move a realizar sua tarefa senão com lentidão, moleza e indiferença. Tudo o que faz é mal feito. B) o ocioso não recusa inteiramente o trabalho, mas sempre atrasa, anda de um lado para outro sem fazer nada e adia indefinidamente a tarefa que havia se comprometido; c) o verdadeiro preguiçoso não quer fazer nada que canse e mostra notória aversão a qualquer trabalho sério do corpo e do espírito.

A preguiça é considerada uma doença espiritual. Como toda doença, para que possa ser curada, é necessário saber o que a motivou, ou seja, a sua causa. O Catecismo da Igreja Católica ensina que ela é também uma tentação e provém de uma outra doença, a presunção; segundo ele, os “Padres espirituais entendem esta palavra [preguiça ou acídia] como uma forma de depressão devida ao relaxamento da ascese, à diminuição da vigilância, à negligência do coração”. Em outras palavras, “quanto mais alto se sobe, tanto maior é a queda. O desânimo doloroso é o inverso da presunção. Quem é humilde não se surpreende com sua miséria. Passa a ter mais confiança e a perseverar na constância”. (CIC 2733)

Após o pecado ter entrado na nossa história, Deus impôs ao homem “a lei severa e redentora do trabalho”, como disse o Papa Paulo VI. Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado” (Gênesis 3,19a).

Todo trabalho é uma continuação da atividade criadora de Deus. E o Senhor derrama a sua graça sobre aquele que trabalha com diligência. O trabalho é a sentinela da virtude. Se com humildade oferecemos ao Altíssimo o nosso trabalho, este adquire um valor eterno. Assim, o temporal se transforma em eterno.

Precisamos conscientizar que muitas das coisas que nos acontecem são consequências de nossas atitudes e escolhas: “quem não trabalha, também não há de comer. A estas pessoas ordenamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que trabalhem na tranquilidade, para ganhar o pão com o próprio esforço” (Cf. 2Ts 3,11-12).

Muitos de nós ocupamos nosso tempo de forma superficial; “levamos vida à toa, muito atarefados em nada fazer” (Cf. 2Ts 3,11). Fechando-nos na Preguiça, no desânimo. O resultado deste tipo de proceder é a própria decepção e a experiência da profunda solidão.

Para combater a preguiça é indispensável uma decisão pessoal de usar melhor a determinação, a constância e a vontade. Os grandes mestres espirituais também orientam a buscar um sábio diretor espiritual, ter consciência de ser filho de Deus, viver o momento presente, recorrer diariamente à oração… Tudo o que fazemos deve ser feito “para o Senhor”, sem preguiça nem reclamação, para não perdermos o mérito da boa ação. Não importa o que seja, se é grande ou pequeno, deve ser feito tendo o Senhor como “Patrão”. Se você é lavadeira, então lave cada camisa ou cada calça com todo o capricho, como se o próprio Jesus fosse vesti-las. Se você é professor, prepare bem a sua aula, ministre-a com capricho e sem preguiça, como se Jesus fosse um aluno que quer aprender. Se você é um médico, atenda cada paciente sem preguiça e sem má vontade, como se o próprio Jesus fosse o doente.

“Sabeis que recebereis como recompensa a herança das mãos do Senhor.”

Referencia

“A Resposta Católica, um pequeno manual para grandes questões”- Ed.Cléofas e Ed. Ecclesiae-p.174-175

CARREIRA, Dom Joaquim Justino. Trevas ou Luz: Os Pecados Capitais e os Dons Do Espirito Santo. Ajuda à Igreja que Sofre. São Paulo, 2011

Felipe Aquino: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/o-pecado-da-preguica-pode-gerar-muitos-males-sociais/ acesso em 28 de junho de 2018

TAMQUEREY, Adolphe. Compendio de Teologia Ascética e Mística. Tradução de Dalton César Zimmermann, Campinas – SP. Editora Ecclesiae, 2018

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