Frases de Santos

Formação › 21/01/2021

Por que devemos entender e conhecer a Liturgia e sua história?

Na sociedade moderna existem diversas discussões sobre temas votados para a liturgia, com isso surgem diversos grupos que acabam negando a continuidade da tradição defendendo uma ruptura, e outros negando o passado e tudo o que foi construído ao longo dos séculos.

Por isso há uma necessidade de retomarmos constantemente este tema, assim como os temas sobre a história da salvação e o sentido histórico e teológico do Mistério Pascal. Seguindo uma linha diacrônica, podemos perceber que nas grandes fases da história do povo de Deus não houve uma ruptura, mas uma sequência.

A partir da narrativa da criação no livro do Genesis podemos perceber que a criação exprime o ato pelo qual Deus é a causa livre e plena de amor de um universo essencialmente bom e harmonioso, tirado do nada e posto à disposição do homem. Também notamos que ao longo da criação Deus foi criando condições que garantissem o desenvolvimento da vida humana. Somente o homem foi criado a Imagem e semelhança de Deus.

O homem, em relação às criaturas visíveis, é o único capaz de conhecer e amar a Deus, seu Criador, ele foi a única criatura na face da terra que Deus quis por si mesma. O homem pelo conhecimento e pelo amor é chamado a compartilhar a vida de Deus. Foi por amor que Deus o constituiu em dignidade.

A experiência do povo de Israel com Deus foi por meio de sua palavra, mesmo Moisés, não viu a face de Deus (Cf. Ex 33, 20; Is 6,5). Fica evidenciado que a experiência do “ouvir sua voz” é muito comum no Primeiro Testamento. Ao olharmos para a história da salvação, podemos perceber que a criação, as coisas criadas, revela-nos seu criador.

A experiência vivida ao longo da história não é um mero acaso, ou algo que se realiza automaticamente. A história deve ser realizada no encontro de Deus com os homens, no encontro dos homens com Deus, no encontro dos homens entre si. É preciso ter em mente que a revelação de Deus por meio da criação é vista e não crida. Ao longo da história da salvação existe um profundo relacionamento de Deus com o Homem e do Homem com Deus.

Hoje o homem tem se afastado de Deus, buscando uma liberdade sem sentido, fazendo escolhas superficiais e assumindo compromissos passageiros que não geram uma estabilidade. A exemplo dos homens e mulheres do Primeiro Testamento, devemos buscar este diálogo com Deus, ir ao seu encontro.

Deus enviou seu filho Jesus ao mundo, por amor a nós homens. No Primeiro Testamento Deus se fez conhecer por meio de sua Palavra anunciada pelos profetas, no Novo Testamento por meio da Encarnação de seu Filho, ou seja, Jesus nos revela Deus como Pai. Ele se faz presente na vida de seu povo, Deus se fez carne e habitou entre nós.

O Filho de Deus assumiu uma natureza humana para realizar nela a salvação de todos. Ao se fazer carne o Verbo de Deus, Jesus, nos deu a conhecer a Deus Pai, ou seja, o que era apenas a Palavra, agora se fez homem, e habitou entre nós. Portanto, a entrada de Jesus na história foi iniciativa de Deus Pai, ou seja, por amor à humanidade e, para que todos se salvassem, Deus enviou seu Filho que durante a sua vida sempre nos revelou Deus. Em Jesus Cristo, a revelação e a salvação se relacionam e são elementos fundamentais e indispensáveis da comunicação de Deus.

Deus se faz carne e habita entre nós. Ele vem ao encontro de seu povo de forma mais concreta ao se encarnar e nos revelar o seu rosto em Jesus Cristo. Após sua morte e ressurreição Jesus nos enviou seu Espírito Santo. É na liturgia que encontramos os sinais visíveis da manifestação do Filho encarnado do Pai.  O centro de toda história da salvação é o Mistério Pascal de Jesus, este mistério é o núcleo de toda ação liturgia. No Mistério Pascal de Cristo, realizou-se a salvação que a Igreja celebra e anuncia.

Na Sagrada Liturgia é atualizado os feitos de Deus na história da salvação, principalmente, o memorial do Mistério Pascal de Cristo. A liturgia é uma maneira de ser da revelação cristã, onde encontramos expressões de fé. A liturgia ao longo da história começa a fazer parte da vida humana, pois, liturgia é diálogo com Deus, é memória do mistério da salvação, ou seja, é o memorial da economia da salvação realizado em Jesus Cristo. Portanto, A celebração litúrgica é o momento atual da história da salvação, nela se celebra o mistério da redenção de Jesus Cristo.

A partir do Mistério Pascal de Cristo e do mistério de Pentecostes, o culto encontra maior sentido interno e espiritual, pois se desenvolve sob a ação do Espírito Santo. O culto de certa forma é definido pelas ações e atos internos ou externos do homem que os leva a uma união íntima com Cristo transformada pelo Espírito Santo.

É por meio do Espírito Santo que a liturgia é vivificada e se frutifica na vida dos fiéis, ou seja, é por meio do Espírito Santo que toda ação cultual, litúrgica, é renovada e se faz única e viva na vida do cristão. Na liturgia é atualizada de forma viva e eficaz a obra de salvação realizada no Mistério Pascal de Cristo.

O Mistério Pascal tem uma grande importância na liturgia, pois, está no centro de toda teologia sacramental. Pois, na liturgia é exercida a obra de nossa redenção, ou seja, é atualizada a obra de nossa salvação. Como vimos a salvação no Primeiro Testamento foi mistério escondido no Pai, e depois anunciado pelos profetas, em Cristo se cumpriu e dado a conhecer pela pregação dos apóstolos. Após sua Ascenção Jesus envia o Espírito Santo sobre a Igreja (Apóstolos), a partir de então Jesus age pelos sacramentos que instituiu para transmitir a sua graça.

Os sacramentos são sinais do mistério de Cristo, ou seja, são sinais eficazes de salvação. Podemos afirmar que os sacramentos estão intimamente ligados ao Mistério Pascal de Jesus Cristo. Cada celebração sacramental é encontro com Jesus que produz frutos de salvação e vida para aqueles que compartilham a mesma fé. Portanto, por meio dos sacramentos da Igreja o Mistério Pascal de Cristo torna-se presente na vida da Igreja, nas diferentes situações históricas. Hoje a Igreja celebra o Mistério Pascal de Cristo por meio do memorial na Liturgia, atualiza a salvação que Cristo nos deu.

Após a Paixão de Cristo a Páscoa toma um novo sentido na vida dos cristãos, ela se tornou o memorial deste grande mistério da salvação. A Eucaristia é o ápice e a fonte da vida da Igreja, ela é o centro da economia de salvação. A Escatologia está intimamente ligada a liturgia da Igreja. Tanto na Eucaristia, como na teologia escatológica o Mistério Pascal está no centro de toda ação e reflexão. A Eucaristia é a antecipação do banquete final, que foi anunciado pelos profetas no Primeiro Testamento (cf. Is 25,6-9) e que foi descrito em Apocalipse 19,7-9 como “as núpcias do Cordeiro” que iremos celebrar na comunhão dos Santos.

Na eucaristia encontramos uma tríplice dimensão do tempo, passado, presente e futuro. A celebração Eucarística anuncia o que vai acontecer, o que será os últimos tempos e ao mesmo tempo contribui para a realização, alimenta a esperança de toda Igreja da mesma forma que a pascoa judaica alimentava a esperança de povo escolhido.

Quando olhamos para realidade pastoral hoje, podemos perceber que a liturgia em si está intimamente ligada as realidades de evangelização e catequese. Pois, para uma boa participação das ações litúrgicas os batizados devem estar bem preparados, uma realidade que não acontece hoje, devida a má formação catequética e a falta de compromisso. Devido esta deficiência na formação catequética, precisa-se hoje repensar a formação catequética de todos os batizados.

No mandato de Cristo em Mateus 28,19-20, está contido a necessidade da catequese e evangelização, pois, tanto o Batismo quanto a Evangelização exigem uma boa preparação. Portanto, “… a fé vem da pregação e a pregação é pela palavra de Cristo” (Rm 10,17). Com isso, podemos afirmar que a missão de batizar, está intimamente ligada a missão de evangelizar, pois, a liturgia sacramental, ou a preparação para os sacramentos está ligada a pregação da Palavra de Deus e pela fé que é recebida dessa Palavra.

Porém precisamos entender que a liturgia em si não é local para uma catequese sistemática, mas a liturgia e os sacramentos têm uma relação com a catequese, pois a vivencia do culto exige a verdadeira vivencia de nossa fé.

Portanto, somos chamados a sermos testemunhas do que vivenciamos na liturgia. A verdadeira participação ativa na liturgia nos aproxima de Deus e nos torna mais santos. Por meio de meu testemunho a comunidade é santificada, e com isso sentimos necessidade de retornarmos sempre as celebrações litúrgicas, principalmente das celebrações Eucarísticas. Os cristãos são chamados a reconhecer o Mistério Salvífico em suas vidas, no cotidiano… e celebrar esta salvação na Liturgia.

 

Por: Padre Leandro Paulo do Couto

Comunidade Canção Nova

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