Frases de Santos

Artigos › 22/06/2020

O risco de uma fé “virtual”

 

 

Quando estudamos os quatro Evangelhos, podemos perceber que os discípulos eram íntimos de Jesus, ou seja, os discípulos cresceram na familiaridade com Jesus ao longo dos 3 anos sendo formados por Ele. Uma familiaridade que é ao mesmo tempo pessoal e comunitário. Com isso podemos afirmar que uma familiaridade sem comunidade, sem Igreja, sem os sacramentos, é perigosa, pode tornar-se uma familiaridade gnóstica, separada do povo de Deus.

Ao longo desta pandemia do Covid-19, o único meio de muitos fiéis participarem da missa é por meio das mídias sociais e pelas Tv’s Católicas. por estes meios se comunica, mas não se esta junto. É uma realidade bem difícil e complicada, pois, os fiéis não podem participar da Santa Missa, mas, somente fazer a comunhão Espiritual. Assistimos  a Santa Missa que é transmitida por diversos meios de comunicação social, mas não estamos juntos, reunidos em comunidade. O assistir a Missa peles meios de comunicação não tem o mesmo valor do que participar e viver a Santa Missa na Capela, na Matriz reunidos em Comunidade.

O viver a Santa Missa pelos meios de comunicação, não se diz da realidade da Igreja, por isso precisamos entender a verdadeira dimensão da familiaridade com os sacramentos e com o povo de Deus.

Esta “familiaridade dos cristãos com o Senhor sempre é comunitária. Sim, é íntima, é pessoal, mas em comunidade. Uma familiaridade sem comunidade, uma familiaridade sem o pão, uma familiaridade sem a Igreja, sem o povo, sem os sacramentos, é perigosa. Pode tornar-se uma familiaridade – digamos – gnóstica, uma familiaridade somente para mim, separada do povo de Deus. A familiaridade dos apóstolos com o Senhor sempre era comunitária, se dava sempre à mesa, sinal da comunidade. Sempre era com o Sacramento, com o pão.”[1]

Vivemos em um período bem complicado, onde existe um risco muito grave: 

essa pandemia que fez que todos nos comunicássemos também religiosamente através da mídia, inclusive a Missa, estamos todos comunicados, mas não juntos, espiritualmente juntos. O povo é pequeno. Há um grande povo: estamos juntos, mas não juntos. Também o Sacramento: As pessoas que estão em conexão pelas mídias sociais, vivem somente a Comunhão espiritual. E esta não é a Igreja. Esta é a Igreja de uma situação difícil, que o Senhor a permite, mas o ideal da Igreja é sempre com o povo e com os Sacramentos. Sempre.[2]

E agora com algumas dioceses abrindo as portas das Igrejas, para participação do povo, muitos ainda preferem ficar em casa e assistir a Missa pelas redes sociais e TV’s e fazerem a comunhão espiritual do que ir a Santa Missa e estar em comunidade. Alguns ainda pode dizer que “é uma irresponsabilidade abrir as Igrejas em meio a pandemia”. Será um risco se os fieis não observarem as normas do afastamento social. Pois,  As Igrejas estão abrindo e seguindo as orientações … então não é desculpa.

Dom Edson Oriolo, bispo de Leopoldina MG,  em uma série de artigos sobre ação Pastoral pós pandemia, nos fala de uma nova geração: “‘geração coronavírus’, ou, com uma abordagem mais positiva em “geração das lives”. Possivelmente, os mais otimistas dirão que tais impactos são muito localizados e de cunho transitório, no entanto, sabemos que mudanças antropológicas ditam novos imperativos para evangelizar.”[3]

A internet é um espaço de fé sim, e podemos utilizar dos meios de comunicação e das redes sociais para potencializa este modo novo de evangelizar:  reuniões estratégicas, palestras, conferências e outros. Até mesmo para as transmissões das Celebrações Eucarística. Mas precisamos compreender que à Missa transmitida pela Tv ou por meio de Live’s não tem o mesmo Valor do que estar presente na Igreja e viver a Santa Missa.

Por isso é preciso ter o cuidado para não substituirmos a verdadeira fé por uma fé virtual!

 

Pe. Leandro Couto

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[1] O Papa reza pelas mães grávidas e alerta para o risco da fé “virtual”

[2] Ibid.

[3]  AÇÃO PASTORAL PÓS-PANDEMIA (3)

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