Frases de Santos

Homilia › 17/10/2020

O que é de César e o que é de Deus – XXIX Domingo do Tempo Comum

 

 

A liturgia deste domingo, nos apresenta um Deus infinitamente grandioso, que nos ama com a mesma magnitude e por isso tem misericórdia de nós, trazendo-nos de volta para junto dele quando nos desviamos dos seus caminhos. Quando sofremos, ele se compadece de nós e faz de tudo para aliviar nossas dores e qualquer outro tipo de sofrimento, inclusive o sofrimento causado pelas formas de servidão a que nos sujeitamos por causa das vezes que colocamos outras coisas no seu lugar.

Hoje somos chamados a um bom discernimento entre as coisas de Deus e as coisas que não são de Deus. A dar a Deus o que é de Deus e o que é de Cesar a Cesar.

Disso depende nossa vida e nossa felicidade.

O Evangelho ensina que o homem, sem deixar de cumprir as suas obrigações com a comunidade em que está inserido, pertence a Deus e deve entregar toda a sua existência nas mãos de Deus.  Portanto, homem não tem em si a imagem de César, mas a imagem de Deus. Podemos conferir as próprias palavras de Deus no livro do Gênesis: “Façamos o homem à nossa imagem, à nossa semelhança…” (Gn 1,26-27).  Portanto, o homem pertence somente a Deus, deve entregar-se a Ele e reconhecê-lo como o seu único Senhor.  Jesus vai muito além da questão que lhe puseram.

Deus é a nossa prioridade e que é a Ele que devemos subordinar toda a nossa existência; mas avisa-nos também que Deus nos convoca a um compromisso efectivo com a construção do mundo.

Para o cristão, Deus é a referência fundamental e está sempre em primeiro lugar; mas isso não significa que o cristão viva à margem do mundo e fique ausente das suas responsabilidades na construção do mundo. O cristão deve ser um cidadão exemplar, que cumpre com a sociedade os seus deveres e colabora ativamente na construção da sociedade humana. Ele respeita as leis e cumpre pontualmente as suas obrigações tributárias, com coerência e lealdade. Não foge aos impostos, não aceita esquemas de corrupção, não infringe as regras legalmente definidas. Vive de olhos postos em Deus; mas não deixa de lutar por um mundo melhor. São Paulo irá lembrar sobre os deveres dos cristãos perante os poderes públicos e irá dizer explicitamente: “Pague-se o imposto a quem se deve o imposto” (Rm 13,7).

A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de uma comunidade cristã que colocou Deus no centro do seu caminho e que, apesar das dificuldades, se comprometeu de forma corajosa com os valores e os esquemas de Deus. Eleita por Deus para ser sua testemunha no meio do mundo, vive ancorada numa fé ativa, numa caridade esforçada e numa esperança inabalável.

O “dar a Deus o que é de Deus”, significa abrir-se à sua vontade e dedicar a ele toda a nossa vida, cooperando para o seu Reino de misericórdia, amor e paz.  Devemos também ter consciência de que só Deus é o Senhor do homem, e não há outro. A criatura não pode pertencer a mais ninguém, mas somente a Deus, o seu Criador.  Isto também sinaliza que devemos respeitar cada criatura, pois a imagem de Deus está impressa no rosto de cada pessoa. É preciso redescobrir esta novidade perene a cada dia.

Os santos souberam “dar a Deus o que é de Deus”, dedicando toda a sua vida ao Senhor, a quem devemos amar sobre todas as coisas. E, sobretudo, a Virgem Maria, Senhora da escuta fiel e modelo de santidade, fez isto de uma maneira admirável. Peçamos a sua intercessão para que saibamos também nós dar a Deus o que é de Deus. E ela, que não teve medo de fazer a vontade do Senhor ao longo de toda a sua existência, nos ajude a acolher na fé os ensinamentos do seu Divino Filho e nos faça colocá-los em prática cotidianamente.

 

Fostes: www.presbiteros.org.br

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PEREIRA, Pe. José Carlos. Liturgia da Palavra II. Editora Paulus.

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