Frases de Santos

Formação › 20/12/2020

O Mistério Pascal e a vida sacramental

O Batismo e a Eucaristia são celebrados desde o começo da Igreja, “que mais tarde serão chamados de ‘sacramentos’”[1]. A Palavra Sacramento vem do latim Sacramentum, que quer dizer mysterium (mistério) no grego, coisa sagrada, oculta ou secreta. Por ser mistério, consideramos como mistério de Cristo que perpetua na Igreja[2]. No princípio da Igreja o termo mistério era entendido como “o mistério de Deus, revelado e realizado em Cristo, passa a designar os mistérios particulares da história de Jesus como ações salvíficas concretas de Deus. A partir do século II, começa-se a empregar mysterion para falar do batismo e da eucaristia”[3]. Nos séculos seguintes a palavra sacramentum é mais usada para designar “o batismo e a eucaristia, mas também outras realidades como a sagrada escritura, o catecumenato, a água benta, o lava-pés, o símbolo apostólico, a oração dominical, o jejum, a festa de páscoa etc”[4].

Santo Agostinho teve um papel importante para a teologia sacramental, pois, Agostinho se preocupava com o batismo de hereges e cismáticos devido à realidade do donatismo, o batismo de crianças por causa do pelagianismo e a formação cotidiana dos seus fiéis para receberem a eucaristia[5]. “Agostinho apresenta com uma clareza até então desconhecida o conceito de ‘sacramento’, fazendo a distinção entre sacramentum e a virtus ou res sacramenti. O sacramento é um signo visível de uma realidade invisível”[6].

A teologia sacramental nos séculos XI e XII tem uma melhor elaboração a partir do desenvolvimento de uma teologia dos sacramentos com base no pensamento de São Tomás de Aquino e da síntese do pensamento da escolástica. Nestes dois séculos temos a criação e a fixação de um vocabulário de teologia sacramental[7].

O Concílio de Trento aceitou a doutrina de Tomás de Aquino sobre os sacramentos em geral. “Definiu a instituição dos sacramentos por Cristo e o número de sete […], segundo Trento, os sacramentos são sinais de salvação, entregues à Igreja, instituídos por Cristo, constituídos por um elemento criado e pela palavra que a Igreja pronuncia”[8].

Após a fase tridentina com o nascimento dos estados modernos, com a atenção da Igreja está sobre a sua organização exterior, podemos perceber que toda ação litúrgica da Igreja está dominada pelas preocupações jurídicas. “Os tratados de sacramentos da época pós-tridentina apresentam os atos sacramentais como fenômeno isolados: eles perderam seu contexto teológico geral como ações dentro do marco e da dinâmica da história salvífica”[9].

Com o passar do tempo, foram surgindo vários estudos teológicos, de forma especial com o Vaticano II a palavra sacramento começou a ser empregada para designar algumas realidades bem concretas, bem como, Cristo, a Igreja e o homem de um modo mais amplo e o mundo[10]. “Pode-se chamar esse conjunto de realidades sacramentais de ‘organismo sacramental pleno’; mesmo mantendo ainda cada uma de suas nuanças diferenciais e específicas, coincidem substancialmente nos elementos próprios da sacramentalidade, apoiando-se e explicando-se mutuamente”[11].

[1] X. BASURKO; J. A. GOENAGA, A Vida Litúrgica Sacramental da Igreja em sua evolução histórica, in Dionísio BOROBIO, A Celebração na Igreja: Liturgia e sacramentologia fundamental, 2002, p. 66-67. (V.1).

[2] Cf. Ricardo SADA; Alfonso MONROY, Curso de Teologia dos sacramentos, 1998, p. 15.

[3] X. BASURKO; J. A. GOENAGA, A Vida Litúrgica Sacramental da Igreja em sua evolução histórica, in Dionísio BOROBIO, A Celebração na Igreja: Liturgia e sacramentologia fundamental, 2002, p. 68-69. (v. 1).

[4] Ibidem.

[5] Cf. Idem, p. 81.

[6] Ibidem.

[7] Cf. X. BASURKO; J. A. GOENAGA, A Vida Litúrgica Sacramental da Igreja em sua evolução histórica, in Dionísio BOROBIO, A Celebração na Igreja: Liturgia e sacramentologia fundamental, 2002, p. 108. (v. 1).

[8] Urbano ZILLES, Os Sacramentos da Igreja Católica, 2001, p. 24.

[9] X. BASURKO; J. A. GOENAGA, A Vida Litúrgica Sacramental da Igreja em sua evolução histórica, in Dionísio BOROBIO, A Celebração na Igreja: Liturgia e sacramentologia fundamental, 2002, p. 124. (v. 1).

[10] Cf. Dionisio BOROBIO, Celebrar para Viver: Liturgia e sacramento da Igreja, 2009, p. 103.

[11] Idem, p. 104.

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