Frases de Santos

Formação › 31/07/2020

O Espírito Santo na economia salvífica

 

No Novo Testamento o termo Espírito é traduzido da palavra pneuma. A novidade está no fato do entendimento da palavra Espírito como força de Deus. É a força que impele Jesus para o deserto (cf. Mc 1,12), é a força pelo qual Jesus expulsa os demônios (cf. Mt 12,28) entre outras passagens. Vamos ver no batismo de Jesus o Espírito Santo que desce sobre Ele (cf. Mt 3,13-17; Mc 1,9-11). Outro fato importante é a concepção de Jesus, ela está atribuída ao Espírito Santo (cf. Mt 1,18.20). O Espírito também é dado aos discípulos de Jesus (cf. Mt 24,20; Mc 13,11). Jesus é apresentado como aquele que dispensa o Espírito Santo (cf. Lc 24,49; At 2,23). Em At 1,8 temos o derramamento do Espírito Santo sobre os Apóstolos que se transformam em testemunhas de Jesus. Em At 2,3ss temos a transformação dos discípulos quando recebem o Espírito Santo. São Paulo também elaborou em seus escritos uma teologia do Espírito, mas de certa forma, ainda não é sistemática[1].

O Espírito Santo está de forma íntima ligado à revelação e à história da salvação. Para os cristãos o termo revelação tem o significado de auto revelação de Deus. Ela ganha forças na plenitude dos tempos com a encarnação do Verbo. Jesus, Deus que se fez homem é o mediador entre Deus e o homem. Deus se auto revela ao ser humano não somente por meio de sua palavra, mas se auto manifesta, revelando a si mesmo. Quanto mais íntimo Deus se faz do ser humano, ele penetra em nossos corações com Seu Espírito Santo[2] (Cf. Rm 5,5).

É o Espírito Santo que dá a conhecer Jesus Cristo como Filho do Pai e mediador último da revelação. O Espírito Santo revela a glória divina de Cristo e sua posse do poder divino […]. Por isso, o Espírito de Deus, do Senhor, é igualmente também o Espírito do Filho, o Espírito de Jesus Cristo, que Deus, o Pai, colocou como Senhor, quer dizer, como portador escatológico do poder divino […]. O Espírito de Deus, do Senhor é sempre o Espírito do “Filho único do Pai” (Jo 1,18). Como o Espírito pertence ao ser de Deus e é a origem de sua ação, assim o Espírito Santo é também sempre o Espírito do Filho, o Espírito de Jesus Cristo ou o Espírito do Senhor […]. Há uma única realidade-Deus em seu ser interior e em sua ação exterior na criação, na revelação da história da salvação e na realização final. Chama-se por isso Deus, Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mt 28,19)[3].

Como podemos ver o mistério da Santíssima Trindade é o centro da fé e da vida cristã. Com isso, concluímos que o Espírito Santo nos transmite a força de Deus e nos revela Deus. O Espírito Santo é dom, ou seja, é o amor do Pai, do Filho (Cf. Rm 5,5; 1Jo 4,8-16). Portanto em sua ação o Espírito Santo nos revela seu nome, Ele é koinonia (comunidade) oferecendo-nos uma comunhão intima com Deus[4].

O Espírito Santo também nos revela Jesus ressuscitado como o Filho de Deus, que após a ressurreição está na glória de Deus como messias e senhor (Cf. At 2,33.36; 13,33). “Entendemos os acontecimentos da cruz, ressurreição e envio do Espírito como a realização histórico-salvífica da autocomunicação do Deus Trino. Trata-se da realização econômica em vida do ser eterno de Deus como autodoação amorosa do Pai e resposta grata e obediente do Filho ao Pai no amor; trata-se de seu amor unificador que sempre de novo e, infinitamente, se confirma no Espírito Santo”[5].

São Basílio em seus escritos sobre o Espírito Santo nos diz que “em relação ao plano de salvação do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo (Cf. Tt 2,13), estabelecido segundo a bondade de Deus, quem poderia negar que ele é consumado por meio da graça do Espírito Santo?[6]. A partir destas palavras podemos notar que, aos poucos, o Espírito Santo, se faz presente no tempo, ou seja, esteve presente na história da salvação do povo de Israel desde a criação e se faz presente no Novo Testamento de forma mais direta na redenção[7].

Santo Ambrósio ao escrever sobre o Espírito Santo em relação à economia da salvação também afirma que “o Espírito é o autor regeneração espiritual, na qual somos criados segundo Deus, para sermos filhos de Deus[8]. Mediante a redenção em Jesus Cristo, somos novas criaturas, e ganhamos a filiação adotiva de Deus.

Ao olharmos para o contexto geral da história da salvação e a ação do Espírito Santo, podemos perceber que “o mistério pascal encontra o seu complemento no mistério de pentecostes. A páscoa é a imolação e glorificação de Cristo e o pentecostes é a sua exaltação como kyrios pela Igreja, plena do seu Espírito[9]. O Espírito Santo é dom da Páscoa do Senhor, ou seja, dom de Deus e todo dom se concentra no Espírito Santo. Portanto, o Mistério Pascal, seja o evento pascal, quanto a fé pascal, é uma ação do Espírito Santo, que vivifica e doa a fé do Pai e do filho. “O envio do Espírito (Jl 3,1-5) aponta a ressurreição de Jesus como acontecimento escatológico salvífico. Quem recebe o Espírito, entra na comunidade dos vivos com o senhor ressuscitado”[10]. Em Cristo ressuscitado recebemos o dom da vida eterna.

 

Pe. Leandro Couto

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[1] Cf. John L. McKENZIE, “Espírito” in Dicionário Bíblico, 2005, p. 303.

[2] Cf. Gerhard Ludwig MÜLLER, Dogmática Católica: Teoria e prática da Teologia, 2015, p.281.

[3] Gerhard Ludwig MÜLLER, op. Cit., p.281.

[4] Cf. Gerhard Ludwig MÜLLER, op. Cit., p. 294.

[5] Ibidem.

[6] BASÍLIO MAGNO, Sobre o Espírito Santo, XVI, 39 (PG 32, 140 B), apud. Pe. Raniero CANTALAMESSA, Vem, Espírito Criador! Meditações sobre o Veni creator, 2014, p. 80.

[7] Cf. Raniero CANTALAMESSA, Vem, Espírito Criador! Meditações sobre o Veni creator, 2014, p. 80.

[8] AMBRÒSIO, Sobre o Espírito Santo, II, 62-69, apud Pe. Raniero CANTALAMESSA, Vem, Espírito Criador! Meditações sobre o Veni creator, 2014, p. 80.

[9] L. MALDONADO; P. FERNÁNDEZ, A celebração Litúrgica: Fenomenologia e teologia da Celebração, in Dionísio BOROBIO, A Celebração na Igreja: Liturgia e sacramentologia fundamental, 2002, p. 252. (v. 1).

[10] Gerhard Ludwig MÜLLER, op. cit., p.288.

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