Frases de Santos

Homilia › 22/05/2021

O Espírito do Senhor encheu o universo; ele que tudo une

 

 

1. “O Espírito do Senhor encheu o universo; ele que tudo une. conhece todas as línguas, aleluia” (MR). Essa realidade anunciada pelo livro da Sabedoria realizou-se plenamente no dia de Pentecostes, quando os Apóstolos e os que com eles estavam ficaram todos cheios do Espírito Santo c começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que se exprimissem (At 2,4).

É Pentecostes a realização da promessa de Jesus. Quando eu for, enviar-vo-lo-ei” (Jo 16,7); é o batismo por ele anunciado antes de subir ao céu: “Sereis batizados no Espírito Santo (At 1,5); é ainda o cumprimento de suas palavras: “Quem tem sede venha a mim e beba. Quem crê em mim, do seu interior manarão rios de água viva” (Jo 7, 37-58). Comentando esta última afirmação observa o Evangelista: “Isto disse referindo-se ao Espírito que haviam de receber os que cressem nele. Pois ainda não fora dado o Espírito, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado” (ibidem, 39). Não fora dado de maneira total, mas não podemos pensar que ele faltasse aos justos. Prova-o o Evangelho a respeito de Isabel, de Simeão e de outros ainda. Declarou-o Jesus a respeito dos Apóstolos, na véspera da morte: “Vós o conheceis, porque permanece entre vós” (Jo 14, 17). Além disso, na tarde da Páscoa, aparecendo aos onze reunidos no cenáculo, “soprou sobre eles e lhes disse: ‘Recebei o Espírito Santo ” (Jo 20,22).

O Espírito Santo é o “dom” por excelência, infinito como é Deus Infinito. Embora quem crê em Cristo já o possua, pode rece-bê-Io e possuí-lo cada vez mais. Sua descida sobre os Apóstolos na tarde da Ressurreição prova que tal dom inefável está estreitamente ligado ao mistério pascal: é o supremo dom de Cristo que. tendo morrido e ressuscitado pela redenção dos homens, tem o direito e o poder de lho conferir.

A vinda do Espírito no dia de Pentecostes renova e completa este dom; desce o Espírito Santo não mais em forma íntima e particular como na tarde da Páscoa, mas em forma solene, com manifestações externas, públicas, e está a indicar que o dom do Espírito não é reservado a poucos privilegiados, mas destina-se a todos os homens, pois para todos Cristo morreu, ressuscitou e subiu ao céu. O mistério pascal culmina assim não só na Ressurreição e na Ascensão, mas também em Pentecostes. seu ato conclusivo.

2. Quando os homens, impelidos pelo orgulho, e como a desconfiar de Deus, quiseram construir a famosa torre de Babel, não se compreenderam mais (Gn 11, 1-9; 1.a leitura; Missa da Vigília). Com a descida do Espírito Santo sucedeu o contrário: não mais confusão das línguas, mas o “dom” das línguas que permitiu compreensão recíproca entre homens “de todas as nações” (At 2,5)! Não mais separação, porém, fusão entre pessoas provenientes de diversos países. Eis a obra fundamental do Espírito Santo: estabelecer unidade, fazer de povos e de homens diferentes um único povo, o povo de Deus fortalecido pelo amor que o Paráclito veio derramar nos corações.

É de S. Paulo este pensamento na primeira carta aos Coríntios: “Fomos todos batizados em um só Espírito para constituirmos um só corpo, quer judeus quer gregos, quer escravos quer livres, e bebemos todos do mesmo Espírito” (12, 13). O Divino Paráclito, Espírito de amor, é Espírito e vínculo de união entre os fiéis, dos quais faz um só corpo, o Corpo místico de Cristo, a Igreja.

A obra iniciada em Pentecostes é destinada a renovar a face da terra, como um dia renovou o coração dos Apóstolos, transformando sua mentalidade ainda ligada ao judaísmo, para lançá-los à conquista do mundo todo, sem distinção de raça ou religião. Isto foi facilitado de modo concreto pelo dom das línguas que permitiu à Igreja primitiva difundir-se com maior rapidez. E se com o tempo aquele dom cessou, outro não menos poderoso para atrair os homens ao Evangelho e para uni-los entre si não cessou até hoje: é o dom do amor.

A linguagem do amor é compreendida por todos: doutos e ignorantes, compatriotas ou estrangeiros, cristãos ou não. E é especialmente por isso que a Igreja inteira e cada um dos fiéis têm sempre necessidade de que Pentecostes se renove. Embora o Espírito Santo já esteja presente, é sempre necessário rezar: Vinde Espírito Santo, enchei os corações de vossos fiéis, acendei neles o fogo do vosso amor” (lecionário). O Pentecostes realizado cinquenta dias depois da Páscoa não pode ser considerado episódio isolado, mas antes realidade sempre em ato na Igreja.

O Espírito Santo já presente nos fiéis, exatamente em força desta sua presença, torna-os desejosos de recebe-lo com maior plenitude e ele mesmo lhes dilata os corações para que sejam capazes de receber efusões sempre novos.

 

Livro: MADALENA,OCD. Gabriel de Sta. Mª. Intimidade Divina. 6ª Ed. Edições Loyola, São Paulo, 2014

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