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Liturgia › 29/04/2020

Movimento Litúrgico

O movimento litúrgico do séc. XIX foi autônomo, mais controlado do que auxiliado pelos organismos hierárquicos. Não foi assim o do séc. XX. Nele podemos distinguir a atuação dos papas e a ação dos teólogos e dos pastores.

O Motu proprio Tra le sollecitudini (Entre as preo-cupações) de Pio X, do dia 22 de novembro de 1903, revela a preocupação por “uma participação ativa nos sagrados mistérios e na oração pública e solene da Igreja”. Pode-se dizer que esta afirmação estabelece os fundamentos para o início da verdadeira fase pastoral do Movimento Litúrgico. O beneditino belga Lambert Beaudouin (†1960) fez dela o lema do seu trabalho litúrgico-pastoral. Ele dizia: “É necessário democratizar a liturgia”.

Em 1920, J. Seitz, reeditando o Manual de Teologia Pastoral de J. E. von Pruner, usa pela primeira vez o termo “Pastoral Litúrgica”. Depois dele, em 1924, o monge Athanasius Wintersig retoma esta  expressão e diz que uma disciplina com o referido nome é necessária ao lado da história da liturgia e da ciência litúrgica sistemática. Seu objetivo é descobrir o significado da liturgia para o conjunto da pastoral e como se pode alimentar a vida das comunidades através dela. Em 1956, J. Jungmann, colocou a pastoral como chave de interpretação da história da liturgia.

Para Beaudoin, os grandes meios de ação foram: a revista Questions Liturgiques paroissiales (Questões litúrgicas paroquiais), as semanas de liturgia destinadas à mentalização do clero, publicadas em Cursos e conferências. Ambicionava-se interromper a descristianização e renovar a Igreja.

A expansão do movimento litúrgico ficou um tanto paralisada no decorrer das duas guerras mundiais, voltando a propagar-se com mais vigor nos respectivos períodos pós-guerra. Contribuíram para essa difusão pastoral, na Bélgica, além da abadia de Monte César, a de Santo André: na França, o Centro Nacional de Pastoral Litúrgica de Paris (1943), ao qual estiveram vinculados além de Dom Lamberto Beaudoin, Dom Bernard Botte, Roguet, Martimort, Pierre Gy, Jounel, etc. O centro fundou a revista La Maison-Dieudele nasceu a coleção Lex Orandi e, junto com a Abadia de Monte César, o Instituto Superior de Liturgia de Paris. Na área germânica, a abadia de Maria Laach destacam-se Mardini, Odo Casel, Doelger, Baumstark, Mayer, etc., o Instituto de Liturgia de Trier (Wagner e Fischer), Pio Parsch e os cônegos regulares de Klosterneuburg (Áustria); e, em toda a Igreja, os Congressos Internacionais de Liturgia, organizados pelo Centro de Pastoral Litúrgico de Paris e pelo Instituto de Liturgia de Trier: 1) Abadia de Maria Laach (1951); 2) Lugano – Suíça (1953); 3) Assis – Itália (1956), que se destaca graças à assistência dos hierarcas e pastores de todo o mundo, à sua difusão e ao clima criado em torno da expectativa de uma reforma litúrgica. Este congressos foram preparando as bases da futura constituição de liturgia do Vaticano II.

Referencia:

AUGÉ, Matias. Liturgia. Ave Maria, 1992

 

Padre Leandro Couto

Comunidade Canção Nova

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