Frases de Santos

Formação › 23/12/2020

Mistério Pascal e Sacramentos

O homem participa de um novo modo de participar da salvação por meio da liturgia. Após sua Ascensão Jesus envia o Espírito Santo sobre a Igreja (Apóstolos), a partir de então Jesus age pelos sacramentos que instituiu para transmitir a sua graça. “Os sacramentos são sinais sensíveis (palavras e ações), acessíveis à nossa humanidade atual. Realizam eficazmente a graça que significam, em virtude da ação de Cristo e pelo poder do Espírito Santo”[1]. Desta forma podemos perceber que na liturgia o passado, o presente e o futuro se fundem, toda história da salvação se faz presente na liturgia.

Os sacramentos não são ações privadas, mas celebrações da Igreja, ou seja, a vida litúrgica da Igreja gira em torno da Eucaristia e dos Sacramentos. Como podemos notar os sacramentos são sinais do amor gratuito de Deus por nós. “Deus usa desses sinais e ritos humanos para comunicar-se conosco. Torna-se perceptível, em momentos fortes de nossa vida, através de coisas elementares, como água, pão, vinho, óleo, pelo ‘sim’ mútuo, etc. elementos comuns da vida tornam-se sinais de sua presença entre nós, sinais de vida nova. O comum torna-se sinal incomum”[2]. Podemos afirmar que os sacramentos estão, intimamente, ligados ao mistério pascal de Cristo. “Toda Vida humana de Jesus, particularmente sua obediência, paixão e morte na cruz, constituem-se sinal definitivo da salvação”[3]. A salvação fundada em Cristo é continuada na Igreja. Por meio dos sacramentos da Igreja o Espírito Santo nos coloca em contato de forma eficaz com Jesus e sua obra salvífica[4].

O Concílio Vaticano II dá ênfase ao Mistério Pascal, este mistério aparece sempre como um conceito chave para a história da salvação[5].

Os Sacramentos destinam-se à santificação dos homens, à edificação do corpo de Cristo e ainda ao culto a ser prestado a Deus. Sendo sinais, destinam-se também à instrução. Não só supõe a fé, mas por palavras e coisas também a alimentam, a fortalecem e a exprimem. Por esta razão são chamados sacramentos da fé. Conferem certamente a graça, mas sua celebração também prepara os fiéis do melhor modo possível para receberem frutuosamente a graça, cultuarem devidamente a Deus e praticarem a caridade[6].

Por meio da intervenção salvífica de Deus na história, percebemos que a história ganha uma estrutura sacramental, pois, Deus se faz presente na vida de seu povo e, com a encarnação de Cristo, essa presença se intensifica. A partir das duas grandes manifestações de Deus na história, ou seja, a Criação e a Encarnação se tornam os dois pontos fundamentais da manifestação de Deus[7]. “A presença de Deus na história, pela criação e pela encarnação, pela palavra e pelos sinais, não é uma presença periférica ou acidental, mas ativa e ‘essencial’. Isto é, uma presença na qual Deus age dando-se, comprometendo-se, comunicando-se, tornando-nos participes de si mesmo. […] O estar de Deus na história, fecundando-a com sua presença e atividade, com o seu amor e a sua graça, é o que dá à história a estrutura sacramental que a impregna”[8].

Jesus é o sacramento original, “porque dele dependem todas as demais realidades sacramentais”[9]. A encarnação é a plenitude da revelação do amor de Deus pelos homens. Jesus é a manifestação plena e mais perfeita do amor de Deus[10]. “Em Cristo, a comunhão de vida do homem com Deus chega a seu ponto culminante, e a manifestação de Deus, como Salvador, ao homem atinge o seu centro decisivo”[11]. A Igreja, sacramento principal, com os seus sacramentos será o prolongamento do sacramento original[12]. A Igreja sendo a nova criação de Cristo é o sacramento que devolve o mundo ao primeiro projeto de Deus[13]. O Concílio Vaticano II afirma que “a igreja é em Cristo como que o sacramento ou sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo gênero humano”[14]. A igreja como sacramento é o sinal vivo de Cristo, totalmente, voltado para ele e espelho que reflete sua luz sobre a humanidade[15].

A celebração de cada sacramento é um evento da graça, “uma experiência daquela dádiva de amor que o Pai concedeu a cada um de nós ao entregar seu Filho por amor de nós”[16]. Cada celebração sacramental é encontro com Jesus que produz frutos de salvação e vida para aqueles que compartilham a mesma fé. Portanto, por meio dos sacramentos da Igreja o Mistério Pascal de Cristo torna-se presente na vida da Igreja, nas diferentes situações históricas[17].

BRUNO FORTE afirma que “a Igreja é sacramento de Jesus Cristo. Afinal, ele prometeu estar conosco até o fim dos tempos (Mt 28, 20)”[18]. Podemos notar que durante a vida de Jesus aqui na terra, suas palavras e ações eram salvíficas, de certa forma antecipava o poder de seu Mistério Pascal, portanto, aquilo que era visível em Cristo e, após sua páscoa, passou para seus mistérios, ou seja, agora está presente nos sacramentos[19].

 

 

Por: Pe. Leandro Paulo do Couto

 

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[1] CAT n, 1084.

[2] Urbano ZILLES, op. cit., p. 31.

[3] Urbano ZILLES, op. cit., p. 39-40.

[4] Cf. COMISSÃO TEOLÓGICO-HISTÓRICA DO GRANDE JUBILEU DO ANO 2000, Senhor: A Terra está repleta do Teu Espírito, 1997, p. 94.

[5] Cf. SC 5-7.

[6] SC 59.

[7] Cf. D. BOROBIO, Da Celebração à Teologia: Que é um Sacramento?, in Dionísio BOROBIO, A Celebração na Igreja: Liturgia e sacramentologia fundamental, 2002, p. 295. (v. 1).

[8] Ibidem.

[9] Dionisio BOROBIO, Celebrar para Viver: Liturgia e sacramento da Igreja, 2009, p. 104.

[10] Cf. ibidem.

[11] D. BOROBIO, Da Celebração à Teologia: Que é um Sacramento?, Dionísio BOROBIO, A Celebração na Igreja: Liturgia e sacramentologia fundamental, 2002, p. 298. (v. 1).

[12] Cf. D. BOROBIO, Da Celebração à Teologia: Que é um Sacramento?, in Dionísio BOROBIO, A Celebração na Igreja: Liturgia e sacramentologia fundamental, 2002, p.  301. (v. 1).

[13] D. BOROBIO, Da Celebração à Teologia: Que é um Sacramento?, in Dionísio BOROBIO, A Celebração na Igreja: Liturgia e sacramentologia fundamental, 2002, p.  301-302. (v. 1).

[14] LG 1.

[15] Cf. Bruno FORTE, Introdução aos Sacramentos, 1996, p. 21.

[16] Idem, p. 28.

[17] Cf. Idem, p. 29.

[18] Ibidem.

[19] Cf. CAT, n. 1116.

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