Frases de Santos

Catequese › 03/11/2020

“Martinho da caridade”

Da homilia na canonização de São Martinho de Lima, do papa João XXIII

(Die 6 maii 1962: AAS 54[1962],306-309)
(Séc. XX)

“Martinho da caridade”


Martinho, pelo exemplo de sua vida, prova-nos que podemos alcançar a salvação e a santidade pelo caminho que Cristo Jesus mostrou: quer dizer, em primeiro lugar, o amor a Deus de todo o nosso coração, de toda a nossa alma e com todo o nosso espírito; e em segundo lugar, o amor ao próximo como a nós mesmos (Mt 22,37-39).


Convicto de que Cristo Jesus morreu por nós e tomou sobre si nossos pecados em seu corpo no lenho (cf. 1Pd 2,24), concebeu extremado amor pelo Crucificado. Ao contemplar seus atrozes sofrimentos, não podia impedir-se de chorar copiosamente. Amava igualmente com singular caridade o augusto sacramento da Eucaristia. Com freqüência passava horas oculto em adoração diante do tabernáculo e desejava recebê-lo sempre que se lhe oferecia a oportunidade.


Por fim, São Martinho, obediente ao máximo à exortação do divino Mestre, alimentava a maior caridade para com os irmãos, brotada da fé inquebrantável e da humildade de coração. Amava também os homens aos quais sinceramente estimava como filhos de Deus e seus irmãos. Ou melhor, amava-os mais do que a si mesmo, uma vez que, em sua humildade, a todos julgava mais justos e melhores do que ele.


Desculpava os defeitos alheios. Perdoava até mesmo as mais duras injúrias, persuadido como estava de ser digno de muito maior castigo por seus pecados. Com a maior diligência tentava levar os desviados ao bom caminho; benigno, assistia os doentes; dava aos indigentes alimento, roupa, medicamentos; auxiliava com toda a ajuda e solicitude a seu alcance os lavradores, bem como os negros e mestiços, que naquele tempo eram desprezados como escravos, de tal forma que começou a ser chamado pelo povo de “Martinho da caridade”.
Este santo homem, que, por palavras, exemplo e virtude, atraiu tantos para a religião, também hoje tem poder de elevar maravilhosamente nossos espíritos às realidades celestes. Nem todos, infelizmente, entendem, como seria de desejar, estes bens superiores, nem todos os respeitam; bem, ao contrário, muitos, propensos aos prazeres do vício, desdenham ou aborrecem-nos, ou mesmo desprezam-nos totalmente. Queira o exemplo de Martinho a muitos ensinar com segurança como é bom e suave seguir as pegadas de Jesus Cristo e obedecer a seus divinos mandamentos.

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