Frases de Santos

Formação › 20/09/2021

Maria no Concílio Vaticano II

Foi o primeiro concílio que deu um tratamento extenso e articulado da doutrina mariana, conseguindo um feliz equilíbrio entre as diferentes abordagens Mariológicas da época. Por esta razão, sua doutrina é ponto de referência de primeira ordem para a tarefa mariológica[1].

A situação de Maria anterior ao Concílio Vaticano II

O Concílio deu um enfoque eclesiológico, que surgiu como uma alternativa a abordagem tradicional. Duas correntes surgiram e eram totalizantes tentando resolver as questões mariológicas cada uma a partir de sua ótica. Estas correntes foram de fator determinante na redação do capítulo VIII da Constituição Dogmática Lumen Gentium[2].

Vicissitudes do texto mariano no Concílio Vaticano II

O primeiro esquema sobre a Igreja estava no tema no capítulo V, e nele se encontrava um texto com o título De María, Matre Iesu et Matre Ecclesiae (Julho 1961); seis meses mais tarde foi enviado para a Comissão Teológica com outro nome De Beata.

Em Março de 1962 a Comissão decidiu separar o texto mariológico do esquema sobre a Igreja e foi devolvido ao Padres em Novembro desse ano. Levantaram vozes a favor e contra a inclusão do texto mariológico dentro do texto sobre a Igreja.

O clima foi tenso por ambas as partes. Não era uma simples questão de procedimento, supunha implicitamente a aceitação de uma ou outra postura mariológica. Aqueles que aceitavam a unificação e aqueles que defendiam a separação[3].

O Cardeal Rufino Santos da Manila era porta-voz daqueles que defendiam dois esquemas[4]. Sua exposição foi muito teológica, mostrando o lugar de Maria no mistério de Cristo e da Igreja. O Cardeal König de Viena defendeu a outra postura. Reconheceu o valor teológico da exposição; no entanto, por razões ecumênicas e pastorais propôs a inclusão da Virgem no esquema da Igreja[5]. Em 29 de Outubro de 1963 teve lugar a votação com uma diferença mínima a favor do esquema unitário[6].

O texto aprovado

Mons. Maurice Roy, arcebispo de Quebec, apresentou em 16 de Setembro de 1964 o capítulo VIII. A exposição justa e equilibrada foi abalada pelos Padres conciliares. Fizeram algumas modificações e foi feita uma nova votação em 29 de Outubro, de novo recolheram algumas propostas e em 24 de Novembro foi submetido uma nova votação[7].

A doutrina mariana conciliar

É necessário ter em conta as seguintes premissas:

A – O capítulo mariano não pretende esgotar o que pode ser dito da Virgem (n. 54);

B – O Concílio não tenta resolver as controvérsias das diversas tendências mariológicas;

C – O texto conciliar legitima o valor da Tradição e do Magistério eclesiástico que, juntamente com a Sagrada Escritura, servem de base para avançar com sucesso na Mariologia (n. 55);

D – Tenta-se eliminar o perigo latente de uma Mariologia fechada, autônoma e isolada. Por isso situa Maria dentro do mistério da salvação e lá se vê com seus privilégios e prerrogativas pessoais (53,56,58,60,63-66);

E – O texto magisterial contempla Maria a partir de uma perspectiva histórico-salvífico e deixa de lado a orientação teológico-especulativa predominante nos anos anteriores ao Concílio;

F – No documento está latente um evidente desejo ecumênico (55-59).

O próprio título indica a metodologia que vai ser seguida; partindo da realidade da maternidade divina, e de sua íntima e indissolúvel relação com Cristo, situa Maria no mistério salvífico, para evitar desta maneira uma separação ou distanciamento que a desvincule dos homens[8].

O texto conciliar vai mais além dos atritos e, por elevação, supera a antinomia das posturas prévias, chegando à síntese conciliadora. Por pertencer ao mistério de Cristo, Maria forma parte necessariamente do mistério da Igreja, já que, para o Concílio, existe um único mistério, que é de Cristo presente na Igreja[9].

1 – Missão de Maria na economia da salvação (55-59).

O Concílio começando pelo A.T. (55) apresenta os textos marianos escriturísticos onde aprecia uma íntima implicação da “mulher” no mistério de Cristo. A figura da mulher, Mãe do Redentor, que já aparece em Gn 3,15 vai iluminando progressivamente e aparece como Virgem e Mãe do “Deus conosco” (Is 7 ,14; Miq 5, 2-3; Mt 1,22-23). Ela é o paradigma dos pobres de Deus e por sua vez a excelsa Filha de Sion.

Ao contemplar os textos do N.T. (56-59): Anunciação (56): aprecia-se a cooperação ativa de Maria na libertação dos homens tendo já seu fundamento no primeiro instante de sua aceitação do plano divino. Nota-se que condensa e sintetiza a participação de Maria na história da salvação (57). A continuação relata os momentos mais significativos deste itinerário: a visitação, o nascimento do Salvador, a adoração dos pastores e dos magos,… a cruz (58), Pentecostes e a Assunção (59)[10].

2 – Relações entre a Santíssima Virgem e a Igreja (60-65).

No n. 60 tem-se a preocupação ecumênica com uma alusão explícita ao unus Mediator paulino (1Tm 2,5-6). Tomando como base esta verdade de fé, o Concílio afirma a mediação materna da Virgem (62). A base desta mediação se justifica: a) pela predestinação eterna como Mãe de Deus (61); b) pelo consentimento e aceitação da vontade divina como o fiat da anunciação (62); c) por ser companheira singularmente generosa do Senhor, acompanhando o seu filho desde sua geração até a cruz (61); d) porque “elevada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna” (62)

Maria se torna a mãe espiritual de toda a humanidade cooperando com sua fé, esperança e caridade na obra do Salvador. De forma que, a Igreja a invoca por inúmeros títulos tais como: advogada, auxiliadora, socorro, medianeira, sem ferir com a dignidade e eficácia do único mediador que é Cristo[11].

A continuação neta seção contempla Maria como exemplo, modelo e tipo da Igreja. A maternidade divina é a causa da união essencial da Virgem com a Igreja (63). Esta união é, portanto, derivada de uma prévia: a união da Mãe com seu Filho. Consequentemente, esta união íntima entre Maria e a Igreja origina algumas relações ou vínculos mútuos. Com efeito, Maria é: a) tipo da Igreja, na ordem da fé, caridade e união perfeita com Cristo (63 – 64), b) modelo eminente de mãe e virgem (63 – 64). Logicamente, o texto conciliar no parágrafo seguinte (65) explicita esta doutrina, pondo diante da comunidade dos crentes as virtudes de Maria que devem ser imitados: sua exímia santidade e suas virtudes teologais, em especial sua peregrinação na fé e seu amor materno.

3 – Devoção e culto a Santíssima Virgem (66-67).

Estes parágrafos nos apresentam a relação entre Maria e a Igreja, originada pela maternidade divina e pela relação tipológica entre ambas. O fundamento do culto mariano é exaltação da Virgem (66). No desenvolvimento histórico podemos perceber que a “Santíssima Virgem é, desde os tempos mais antigos, honrada com o título de ‘Mãe de Deus’, e sob a sua proteção se acolhem os fiéis, em todos os perigos e necessidades”, a partir de Éfeso o culto a Maria cresceu admiravelmente na veneração, imitação e amor. Evidentemente que o culto prestado a Maria difere essencialmente do culto prestado ao Verbo encarnado[12]. O culto a Maria tem “a virtude de fazer com que honrando a Mãe, melhor se conheça, ame e glorifique o Filho por quem tudo existe (Col. 1, 15-16) e no qual ‘aprouve a Deus que residisse toda a plenitude’ (Col. 1,19), e também melhor se cumpram os seus mandamentos”.

No 67 contém normas de caráter pastoral que se dirigem, em primeiro lugar, a todos os fiéis, exortando-os a promover o culto litúrgico. Em segundo lugar, aos pregadores e teólogos convidando-os a eliminar tanto um falso exagero, como uma minimalização da singularidade da Virgem e propondo um caminho a seguir: o estudo da Sagrada Escritura, dos Santos Padres e do Magistério. Por fim, se dirige novamente aos fiéis prevenindo-os do perigo de um falso e passageiro sentimentalismo, de forma que a devoção nasce da fé permitindo reconhecer a grande e santa Mãe de Deus e imitar suas virtudes[13].

4 – Maria, sinal de firme esperança (68-69).

Na quinta e última parte do capítulo VIII da Lumen Gentium temos uma visão escatológica de Maria, que assunta ao céu de corpo e alma, é imagem e modelo da Igreja peregrina na terra. Maria se torna o sinal de esperança e consolo para todos os crentes. Invoca-se finalmente a Virgem como intercessora diante de seu Filho, para que, através da devoção mariana e de sua mediação materna, atinjam todos os cristãos e todos os homens constituindo um só Povo de Deus[14].

Maria, Mãe da Igreja

O título aparece poucas vezes na literatura cristã dos séculos passados. No entanto, foi emergindo a partir da doutrina do Corpo Místico. Bento XIV na Bula Gloriosae Dominicae afirmou a doutrina da maternidade de Maria sobre a Igreja Léon XIII, Pio X, Bento XV, Pio XI e Pio XII expressam a mesma realidade com iguais ou equivalentes termos. Não obstante, é com Paulo VI que este título chega em sua plena definição[15]. As razões pelas quais fundamenta o título são em primeiro lugar, a Teologia do Corpo Místico; em segundo, devido a devoção dedicada a Virgem, seria um título em que os fiéis já estavam acostumados a dirigir-se a Maria e terceiro o insistente pedido da maioria dos cristãos. A solene declaração abre um amplo caminho para aprofundar a maternidade espiritual de Maria.

 

Referência bibliográfica

ALBERIGO G. Storia del Concilio Vaticano II, Bologna: Società Editrice il Mulino, 1999, v.4

CANTALAMESSA, R.; Maria, um espelho para a Igreja. Aparecida: Editora Santuário, 1992.

CUÉLLAR, M. P.; María, Madre del Redentor y Madre de la Iglesia, Barcelona: Herder, 2001, p. 442-527.

FORTE, B. Maria, a mulher ícone do mistério, São Paulo: Editora Paulinas, 1991.

GALOT, J., María Corredentora: Controversias y assuntos doctrinales, in: GALOT, J., MARTINEZ, L. C. A., CALKINS, A. B.; María Corredentora, California: Queenship Publishing Company, 2001, p. 7-25.

GHERARDINI, B.; Igreja, in: Dicionário de Mariologia, São Paulo: Paulus, 1995, p. 584-597.

GONZÁLEZ, C. I., Maria evangelizada e evangelizadora, São Paulo: Edições Loyola, 1990 (Coleção de textos básicos para seminários Latino-americano – CELAM).

KLOPPENBOURG, B. Concílio Vaticano II, Petrópolis: Editora Vozes, 1964, v. 3.

_____, Concílio Vaticano II, Petrópolis: Editora Vozes, 1964, v. 4.

MEO, S.; Mediadora, in: Dicionário de Mariologia, São Paulo: Paulus, 1995, p. 865-875.

PAREDES, J. C. R. G., Mariologia, São Paulo: Editora Ave Maria, 2011.

RATZINGER, J., BALTHASAR H. U., María, Iglesia naciente, Madrid: Ediciones Encuentro, 2006.

 

Site:

Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja.

http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html

 

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[1] O texto apresentado na reunião tinha sido escrito por Philips e por Balié, escolhidos como representantes das duas tendências que surgiram durante a discussão do segundo período e da votação de 29 de outubro de 1963. Os dois elaboraram nada menos do que cinco esquemas, o último dos quais foi impresso após a reunião da comissão doutrinária em março de 1964, ele apareceu como Textus prior na coluna da esquerda do esquema enviado aos bispos em Julho. Uma nova versão alterada foi aprovada no encontro da doutrinária comissão em 06 de Junho e apareceu na coluna da direita como Textus emendatus. O respectivo relatório sobre o texto afirmava que a comissão doutrinal foi por unanimidade da opinião que este capítulo devesse ser colocado na conclusão do esquema eclesiológico (ALBERIGO G. Storia del Concilio Vaticano II, Bologna: Società Editrice il Mulino, 1999, v.4, p. 74-75.).

[2] Um texto mais resumido apresentando as discussões que antecederam a Constituição Lumen Gentium está em RATZINGER, J., BALTHASAR H. U., María, Iglesia naciente, Madrid: Ediciones Encuentro, 2006, p. 13-17.

[3] O texto teve uma conturbada história, marcado com uma tensão considerável entre uma abordagem focada com toda a atenção sobre a pessoa e os privilégios específicos de Maria ao lado de Cristo e outra que queria, por sua vez, incluir uma seção de Maria e seu papel no interior do contexto do mistério de Cristo e da igreja. A primeira abordagem foi confirmar e realizar um movimento que foi sancionada pelo ensinamentos papais dos últimos dois séculos, e o segundo, por sua vez, queria oferecer um fundamento mais bíblico, patrístico e doutrinal sobre a devoção mariana. Inevitavelmente, embora um tanto simplista, as duas tendências eram comumente criticadas como “maximalista” e “minimalista”. Diferenças teológicas, espirituais e até mesmo de sensibilidade entre as duas orientações se tornaram mais complexas sobre implicações ecumênicas, naturalmente grandes, do ensinamento conciliar sobre o assunto (ALBERIGO G. Storia del Concilio Vaticano II, Bologna: Società Editrice il Mulino, 1999, v.4, p. 75.).

[4] As razões para uma Constituição separada são as seguintes: 1) Para que apareça mais claramente a singular proeminência e dignidade de Maria SS.; no esquema De Ecclesia, como está não haveria lugar apto para tratar disso. 2) Embora Maria seja membro supereminente da Igreja, ela é também causa livre do Corpo Místico e Mãe do Povo de Deus; estas suas funções fazem com que não possa ser inserida em nenhum capítulo De Ecclesia. 3) Ela é corredentora de todos e medianeira para todos, portanto não pode ser tratada no mesmo nível de todos. 4) Ela está ‘quodammodo supra Ecclesiam’, ou como dizia São Bernando, ‘stat inter Christum et Ecclesiam’, por isso não deve estar no tratado De Ecclesia. 5) É necessário que o Concílio exponha toda a doutrina sobre Nossa Senhora, a que já foi definida solenemente, a que é ensinada pelo Magistério e a que é professada pelos fiéis; ora não há lugar para tanto em outro esquema. 6) A Mariologia está também relacionada com a Cristologia e a Soteriologia, portanto, não apenas com a Eclesiologia. 7) À dignidade da Mãe de Deus não convém ser tratada, como que sumariamente, ‘quase de re secundarii valoris ageretur in modum appendicis adicienda’. 8) Tal redução também seria motivo de estranheza e admiração para a opinião pública. 9) Afinal, tendo em vista a controvérsia entre uma mariologia cristotípica e eclesiotípica, não convém que o Concílio, colocando o esquema De Beata no De Ecclesia, pareça quere dirimir a controvérsia. 10) Há ainda uma razão prática: já discutimos por mais de duas semanas sobre o esquema De Ecclesia; se devêssemos inserir agora neste texto o esquema De Beata, teríamos que reiniciar as discussões e nunca chegaríamos ao fim. – Foram estas as razões aduzidas pelo Cardeal Rufino Santos (KLOPPENBOURG, B. Concílio Vaticano II, Petrópolis: Editora Vozes, 1964, v. 3, p. 189-190).

[5] Razões teológicas: a) o tema central do presente Concílio  é a Ecclesia Christi; ora, é conveniente que não falte precisamente neste esquema central do Concílio a Bem-aventurada Virgem, evidenciando o nexo íntimo entre ela e a Igreja. Ademais, a Teologia católica é acusada de separar excessivamente a mariologia dos outros tratados dogmáticos. b) Um esquema separado poderia dar impressão de querermos promulgar novos dogmas, coisa que, como já foi dito muitas vezes, não é a intenção do Concílio. c) É falso alegar que no tratado sobre a Igreja peregrinante não haveria lugar para Maria SS., pois não podemos não falar do destino escatológico da Igreja e, inversamente, a função escatológica da Virgem terrestre não deve ser silenciada. Se a Igreja fosse apenas um instituto de salvação, então não teríamos lugar para a Virgem, mas como a Igreja é também o Povo de Deus, a comunhão dos Santos, há lugar também para a Mãe de Deus. d) Maria SS. É tipo da Igreja. e) A ninguém interessa obscurecer ou dissimular nossa doutrina sobre Maria SS.; mas não devemos esquecer-nos das necessidades do nosso tempo e das finalidades do presente Concílio (KLOPPENBOURG, B. Concílio Vaticano II, Petrópolis: Editora Vozes, 1964, v. 3, p. 190).

[6]Hoje foram votadas e aprovadas as primeiras cinco emendas: 1 – emenda (no art. 103), que fala da mente com que são inseridas no ano litúrgico as festas de Nossa Senhora. Esta emenda contém uma declaração interessante e com valor doutrinário sobre Maria Santíssima: ‘Na celebração deste cicloanual dos Mistérios de Cristo, a Santa Igreja venera com especial amor a Bem-aventurada Mãe de Deus Maria, que está unida por um vínculo indissolúvel com a obra da salvação de seu Filho (quae insissolubile nexu cum Filii sui opere salutar coniungitur); na qual a Igreja admira e exalta o fruto eminente da redençãoe, como em imagem puríssima, contempla com alegria o que ela mesma deseja e espera ser toda inteira’. Votantes: 2.232; placet: 2.217; non placet: 15 (KLOPPENBOURG, B. Concílio Vaticano II, Petrópolis: Editora Vozes, 1964, v. 3, p. 185).

[7] (KLOPPENBOURG, B. Concílio Vaticano II, Petrópolis: Editora Vozes, 1964, v. 4, p. 418).

[8] Depois da histórica decisão do sai 29-10-1963, a comissão Teológica instituiu uma subcomissão especial composta de elementos das duas correntes (os Cardeias Santos e Koenig, os Bispos Domith e Théas, com dois peritos: Philips e Balié) encarregada de preparar o texto a ser inserido no presente esquema. O texto foi depois discutido e emendado em reuniões plenárias da Comissão, enviado aos Padres Conciliares, para ser agora debatido na Aula. Consta de cinco artigos, subdivididos em parágrafos (KLOPPENBOURG, B. Concílio Vaticano II, Petrópolis: Editora Vozes, 1964, v. 4, p. 22).

[9]Prooemium, com três parágrafos: a) Nossa Senhora no mistério de Cristo: Deus quis associar intimamente a pessoa de Maria ao mistério de Cristo Redentor; b) Nossa Senhora e a Igreja: seus exímios privilégios, que a fazem superior a todas as criaturas, não a separam da economia da Igreja, para cuja obra regeneradora ela concorreu com sua caridade e da qual ela é membro singular, tipo e modelo; c) a intenção do concílio: não é expor uma doutrina completa sobre Maria, nem dirimir questões ainda discutidas entre os teólogos (KLOPPENBOURG, B. Concílio Vaticano II, Petrópolis: Editora Vozes, 1964, v. 4, p. 22).

[10] De munere Beatae Virginis in oeconomia salutis, com cinco parágrafos: a) a Mãe do Messias no Antigo Testamento: desde o início da história da salvação a Sagrada Escritura, entendida no sentido pleno do texto, fala da missão da Mãe do Salvador (cita-se Gn 3,15); b) Maria na Anunciação: vemos como Deus quis o seu consentimento para a missão da maternidade divina, o que mostra, como dizem os Santos Padres, a vocação de Maria para cooperar ativamente na obra da salvação humana; c) Maria e o menino Jesus; d) Maria no ministério público de Cristo; e) Maria depois da Ascensão de Jesus (KLOPPENBOURG, B. Concílio Vaticano II, Petrópolis: Editora Vozes, 1964, v. 4, p. 22-23).

[11] De Beata Virgine et Ecclesia, com três parágrafos que são também os mais importantes: a) Maria como serva do Redentor: o único Mediador que temos é Cristo e é de sua missão que deriva a de Maria, a qual, pois, longe de obscurecer, exalta a mediação de Cristo. A função de Maria, na economia da graça, é a de Mãe, seja quando se considera sua singular cooperação na vida e na paixão de Cristo, seja quando se considera seu ofício celeste de intercessão, que a Igreja sempre experimenta eficaz. Por isso entre os vários títulos com que a honramos, está também a de Medianeira (mas o texto não explica o sentido desta palavra, acrescentando apenas que deve ser entendida de tal maneira ‘ut dignitati et efficacitati Christi unius Mediatoris nihil deroget, nihil superaddat’); b) Maria como Virgem e Mãe é tipo da Igreja; c) as virtudes de Maria a serem imitadas pela Igreja (KLOPPENBOURG, B. Concílio Vaticano II, Petrópolis: Editora Vozes, 1964, v. 4, p. 23).

[12] De cultu Beatae Virginis in Ecclesia, com dois parágrafos: a) a natureza e o fundamento do culto: Maria é honrada por um culto especial, desde a Igreja antiga, mas principalmente a partir do Concílio de Éfeso. Não é culto de adoração, e através dele os homens são levados à adoração de Cristo e do pai; b) o Concílio recomenda o incremento do culto litúrgico e dos demais exercícios de piedade marial aprovados pelo Magistério. Exorta os teólogos e pregadores a evitarem tanto o maximalismo como o minimalismo na consideração da dignidade de Maria. Evite-se em ditos e em fatos tudo o que possa induzir em erro com relação à genuína doutrina marial da Igreja (KLOPPENBOURG, B. Concílio Vaticano II, Petrópolis: Editora Vozes, 1964, v. 4, p. 23).

[13] Para um aprofundamento maior ao tema da mediação e culto a Maria sugiro a obra CUÉLLAR, M. P.; María, Madre del Redentor y Madre de la Iglesia, Barcelona: Herder, 2001, p. 442-527.

[14] Maria, signum certae spei et solatii peregrinante populo Dei: sinal de esperança e de consolação para a Igreja peregrina, Maria deve ser invocada insistentemente pelo fiéis, a fim de que obtenha de seu Filho a congregação dos homens na unidade do Povo de Deus. Aumente-nos, pela sua intercessão junto a seu Filho, a fé, a esperança, a fortaleza, a vigilância, o ardor apostólico, até que cheguemos às núpcias de Deus e do Cordeiro (KLOPPENBOURG, B. Concílio Vaticano II, Petrópolis: Editora Vozes, 1964, v. 4, p. 23).

[15] No dia 21 de Novembro encerrou-se com soleníssima Sessão Pública a Terceira Sessão do Concílio Ecumênico Vaticano II. Terminada a cerimônia da promulgação da Constituição Dogmática sobre a Igreja e os Decretos sobre as Igrejas Orientais Católicas e sobre o Ecumenismo, o Santo Padre Paulo VI pronunciou em latim o Discurso de encerramento que aqui reproduzimos traduzido do texto italiano publicado pelo L’Osservatore Romano de 22-11-1964 […] Auguramos, pois, que, com a promulgação da Constituição sobre a Igreja, selada pela proclamação de Maria Mãe da Igreja, isto é, de todos os fiéis e Pastores, o povo cristão se dirija à Virgem Santa com maior confiança e ardor, e a Ela tribute o culto e a honra que lhe competem. (KLOPPENBOURG, B. Concílio Vaticano II, Petrópolis: Editora Vozes, 1964, v. 4, p. 615, 620).

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