Frases de Santos

Formação › 17/12/2020

Maria e sua presença na Igreja e na Liturgia

O dogma mariano foi se desenvolvendo ao longo da história da Igreja de forma bem lenta, ele desenvolve-se a partir da relação de Maria com seu filho Jesus. SESBOÜÉ afirma que por meio das principais festas marianas podemos acompanhar o desenvolvimento do dogma na história. As principais festas são: “Festa da Theotokos em 15 de agosto, em Jerusalém, a partir de 431, festa da Natividade de Maria (8 de setembro), a partir do século VI, depois a da Conceição (8 de dezembro)”[1]. Também devemos levar em conta que todas as festas marianas, mas de forma mais visível a festa da Anunciação, estão centradas primeiro na pessoa de Cristo, depois dará maior relevo a Maria. “A Igreja venera a memória da Santa Mãe de Deus, unindo-a à celebração da obra da salvação no ano litúrgico e reconhecendo sua ‘intervenção nos mistérios de Cristo’ (cf. LG 65-66; SC 103). Esse é o significado básico de todas as celebrações em honra da santíssima virgem Maria na liturgia”[2]. Portanto, podemos notar a íntima relação de Maria com Jesus e com sua obra de salvação[3].

Maria ocupa um papel importante na tradição católica, a devoção a ela começou, praticamente, já no início do cristianismo. O culto dedicado a Maria vem crescendo século após século. “É notável que a partir de Éfeso se desenvolva o ciclo de festas litúrgicas propriamente marianas. Até então, as Igrejas celebravam Maria no quadro das festas Cristológicas”[4]. A devoção a Maria é importante para a espiritualidade e para arte das tradições católicas e ortodoxas. Nas catacumbas de Priscila em Roma foi encontrado um afresco da Virgem Maria e o Menino datado de 150 d.C.[5].

Para a arte e iconografia oriental Maria tem um lugar bem destacado, encontramos uma variedade enormes de pinturas de grandes artistas como Leonardo da Vinci, Botticelli e Rafael e outros. Encontramos grandes vitrais e estátuas que descrevem a beleza de Maria[6].

A partir das reflexões da Lumem Gentium, após alguns anos em silencio, houve uma retomada na teologia mariana[7]. O Concilio Vaticano II apresenta Maria como membro, tipo e mãe:

A virgem Maria, que na Anunciação do Anjo recebeu o Verbo de Deus no coração e no corpo e trouxe ao mundo a Vida é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus e do redentor. Em vista dos méritos de seu Filho foi redimida de um modo mais sublime e unida a Ele por um vínculo estreito e indissolúvel, é dotada com à missão sublime e a dignidade de ser Mãe do Filho de Deus, e por isso filha predileta do Pai e sacrário do Espírito Santo. Por este dom de graça exímia supera de muito todas as outras criaturas celestes e terrestres.  Mas ao mesmo tempo está unida, na estirpe de Adão, com todos os homens a serem salvos. Mas ainda: “é verdadeiramente Mãe dos membros (de Cristo) … porque cooperou pela caridade para que na Igreja nascessem os fiéis que são os membros desta cabeça”. E por causa disso é saudada também como membro supereminente e de todo singular da Igreja, como seu tipo e modelo excelente na fé e caridade. E a Igreja Católica, instruída pelo Espírito Santo, honra-a com afeto de piedade filial como mãe amantíssima[8].

Maria está no interior da Igreja, ou seja, ela é o interior da Igreja. Ela é mãe, pois, encontrou graça aos olhos de Deus, e pelos méritos de Cristo cooperou para nossa salvação. Maria é tipo (modelo e figura) da Igreja, ela é a figura maternal e feminina do mistério da Igreja, sua virgindade e maternidade continuam sendo reproduzidas na Igreja que se torna mãe e geradora de filhos de Deus na fé. Ela continua sua missão no mistério da salvação, por meio de sua intercessão[9].

Ao longo da história do cristianismo, podemos perceber que a figura de Maria tem uma frutuosa participação. Seja sua presença na Igreja, seja sua presença na Liturgia, pois, para a espiritualidade cristã ela foi referência. “A espiritualidade cristã tem como modelo Maria, que, por obra do Espírito Santo, acolheu a missão de ser Mãe do Filho de Deus e se transformou em sua primeira discípula. A Igreja a venera com especial amor. A Virgem Maria, hoje assim como no cenáculo. (cf. At 1,12-14), ensina aos cristãos a docilidade ao Espírito, Para que junto a Cristo, transformem-se em artífices de uma nova humanidade”[10].

O culto mariano na Igreja está ligado ao caminho do plano salvífico de Deus, que é realizado na pessoa e obra de Jesus. Realmente, toda liturgia católica tem como centro o Mistério Pascal, o mistério da salvação, todas as celebrações estão voltadas para este mistério[11]. “A Santa Igreja venera com especial amor a Bem-Aventurada Mãe de Deus Maria, que por um vínculo indissolúvel está unida à obra salvífica de seu filho; nela admira e exalta o mais excelente fruto da Redenção e a contempla com alegria como uma puríssima imagem daquilo que ela mesma anseia e espera ser”[12].

O Culto mariano leva-nos a viver o Mistério Pascal de Jesus, pois, Maria teve uma participação significativa na história da salvação e quando ela é venerada atrai-nos a Jesus, seu Filho. “Nos primeiros séculos, a veneração da Santa Mãe de Deus estava unida à comemoração dos mistérios centrais da vida de Jesus, especialmente a Páscoa”[13]. Ao adentrarmos na história da salvação, por meio da liturgia, junto com Jesus, veneramos Maria, sua Mãe. Ao celebrarmos a memória de Maria na sagrada liturgia, podemos notar que ela está unida à memória dos eventos salvíficos de Cristo[14]. “Maria cooperou com a obra de Jesus para ‘reproduzir nos Filhos os traços espirituais do Filho primogênito’. Esse é também o fim da missão de ambos, cada qual com própria sua eficácia. Esse é, com efeito, mediação para que se gere Jesus no coração dos fiéis”[15].

Maria também é mestra da vida espiritual, exemplo para Igreja, pois, a exemplo de Maria devemos fazer de nossa vida o culto a Deus, e do culto a Deus compromisso de Vida, ou seja, Maria é modelo do culto, pois, ela fez de sua vida uma oferenda a Deus[16].

Jesus é o único e verdadeiro caminho que nos Leva ao Pai (Cf. Jo 14,4-11). A Igreja também reconhece que a piedade para com Maria, tem uma grande eficácia pastoral, pois, a devoção à bem-Aventurada Virgem Maria está subordinada a piedade para com Jesus, nosso redentor[17].

 

 

Por: Pe. Leandro Paulo do Couto

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[1] B. SESBOÜÉ, A Virgem Maria, in Henri BOURGEOIS; Bernard SESBOÜÉ; Paul TIHON, História dos Dogmas: OS Sinais da Salvação, 2013, p. 467. (Tomo 3).

[2] Julián Lopez MARTÍN, op. cit., p. 409.

[3] Cf. P. LLABRÉS, O Culto a Santa Maria, Mãe de Deus, in Dionisio BOROBIO, A Celebração na Igreja: Ritmos e tempos da celebração, 2000, p. 213. (v. 3).

[4] B. SESBOÜÉ, A Virgem Maria, in Henri BOURGEOIS; Bernard SESBOÜÉ; Paul TIHON, História dos Dogmas: OS Sinais da Salvação, 2013, p. 484. (Tomo 3).

[5] Cf. Kathleen COYLE, Maria na Tradição Cristã: a partir de uma perspectiva contemporânea, 2000, p. 13.

[6]Cf. Kathleen COYLE, Maria na Tradição Cristã: a partir de uma perspectiva contemporânea, 2000, p. 14.

[7] Cf. B. SESBOÜÉ, A Virgem Maria, in Henri BOURGEOIS; Bernard SESBOÜÉ; Paul TIHON, História dos Dogmas: OS Sinais da Salvação, 2013, p. 469. (Tomo 3)

[8] LG 53.

[9] Cf. B. SESBOÜÉ, A Virgem Maria, in Bernard SESBOÜÉ; Paul TIHON, História dos Dogmas: OS Sinais da Salvação, 2013, p. 511-512. (Tomo 3).

[10] Víctor SÁNCHEZ, Por que Celebramos? in. CELAM, Manual de Liturgia: a celebração do mistério pascal, introdução à celebração litúrgica, 2007, p. 299. (v. 1).

[11] Afonso MORA, A Virgem Maria no Ano Litúrgico, in CELAM, A Celebração do Mistério Pascal: outras expressões celebrativas do mistério pascal e a liturgia na vida da Igreja, 2007, p. 43. (v. 4).

[12] SC 103.

[13] Julián Lopez MARTÍN, op. cit., p. 403.

[14] Cf. P. LLABRÉS, op. cit., p. 218.

[15] Idem, p. 221.

[16] Cf. MC 21.

[17] Cf. MC 57.

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