Frases de Santos

Catequese › 04/10/2020

Liturgia na época do Iluminismo

 

Já no final do século XVII desponta o Iluminismo, uma civilização baseada no direito, na consciência individual e na razão do homem e do cidadão. Esta nova concepção empreende um trabalho inicial de demolição do antigo edifício fundado sobre a religião revelada, a hierarquia, a disciplina, a ordem e autoridade; mas, em seguida, tenta construir os alicerces da futura cidade: uma política sem direito divino, uma religião sem mistério, uma moral sem dogmas. O século XVIII confia na ciência, como poder que está nas mãos do homem para os fins do domínio da natureza, da organização do seu próprio futuro e da conquista do bem-estar e da felicidade.

No século XIX, a Igreja depara com uma cultura em larga medida a-religiosa e anti-eclesiástica, uma cultura não cristã que se tornou pouco a pouco independente dela. Acontece um cisma entre a Igreja e o mundo moderno, a apostasia da classe trabalhadora e o distanciamento cada vez maior, no próprio seio da Igreja, entre as esferas hierárquicas e os fiéis mais presentes no mundo da ciência, do trabalho e da cultura.

Bento XIV (1740-1758), ainda como bispo de Bolonha, ensaiou alguma reforma, sem êxito. As liturgias das dioceses da França, que se multiplicam de maneira anárquica ao longo do século XVIII, não receberam o assentimento da Santa Sé. O Sínodo de Pistoia – Itália (1786), restringiu-se a condenações doutrinais e à sinalização de alguns pontos a reformar no campo litúrgico, como: um só altar em cada templo, participação dos fiéis, abolição da cobrança da missa, redução das procissões, música simples, grave e adaptada ao sentido das palavras, ornamentação que não ofenda nem distraia o espírito, reforma do breviário e do missal, um novo ritual, redução de excessivo número de festas, leitura em um ano da Sagrada Escritura no ofício, etc. A maioria dessas questões encontrou eco no Concílio Vaticano II.

Para a época do Iluminismo, a liturgia se reduz a um meio de educação destinado à humanização do indivíduo; mas já não é entendida como “adoração de Deus em espírito e verdade”.

Referencia

BOROBIO, Dionisio, A Celebracao Na Igreja, 2ed. LOYOLA

 

 

Padre Leandro Couto

Comunidade Canção Nova

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