Frases de Santos

Formação › 17/11/2020

Jesus Caminho que nos revela o Pai

 

Jesus Cristo é o caminho da revelação, pois, “o meio escolhido por Deus para nos manifestar o que ele é (Pai, Filho e Espírito) e o que nós somos (pecadores chamados à vida). Ele é o caminho que nos revela a vida e o caminho da vida[1]. Jesus se fez sinal, indicando-nos que, realmente, é o que pretende ser, ou seja, ser Deus entre os homens e que seu testemunho é verdadeiro[2]. “O Cristo é, pois, a Plenitude da revelação. Nele culmina a revelação como ação, como economia, como mensagem e como encontro[3]”. Por meio da encarnação Cristo é a revelação do amor de Deus Pai.

A própria vida de Jesus nos revela a Deus, ou seja, os evangelhos nos mostram que Jesus ao se revelar como filho de Deus, ele nos revela Deus como Pai, pois, a “paternidade de Deus e a filiação de Jesus estão em estrita correlação”[4]. A partir da reflexão de João 1,14, a encarnação para a Igreja é a certeza de que Jesus, Filho de Deus, assumiu uma natureza humana para realizar a salvação da humanidade[5].

Ao se fazer carne o Verbo de Deus, Jesus, nos deu a conhecer a Deus Pai, ou seja, o que era apenas a Palavra, agora se fez homem, e habitou entre nós. QUEIRUGA afirma que “sem dúvida a aparição de Jesus supôs um acontecimento de tal magnitude, que sua presença viva constituiu-se para experiência original na figura real e palpável da revelação de Deus. A palavra aparecia sustentada e transcendida pela encarnação. Ele foi mestre e revelador com a doutrina, mas também com obras e com a vida inteira”[6]. Quando aprofundamos nos evangelhos, eles nos revelam que por meio de suas obras Jesus, ao longo de sua vida, nos revela o Pai. Por exemplo, temos a sua participação na festa da Páscoa (Cf. Lc 2,41-49).

A revelação de Deus no Novo Testamento se dá de forma diferente, onde o seu Filho, encarnado o revela por meio de suas ações, como uma seta que aponta para o Pai. Ao longo de sua vida terrestre Jesus purifica a imagem de Deus, retirando todos os traços de um Deus vingador, violento e que castiga. Ele nos mostra o quanto Deus é bom e o quanto Deus nos ama. Por meio de Jesus conhecemos a face de Deus. Deus se fez carne por puro amor, bondade e compaixão. Em Jesus, Deus se manifestou ao mundo e caminha ao nosso lado[7].

Jesus é o caminho e por Ele vem a verdade da revelação e a vida que é seu resultado. É pela mediação de Cristo que iremos ao encontro do Pai (Cf. Jo 14,6). “Para conhecer o caminho e divisar sua trajetória, que conduz à vida, basta olhar para Jesus e seu caminho. O que se vê em Jesus é o caminho. Jesus é nosso caminho a trilhar […] Tendo acompanhado Jesus, conhecemos sua prática: essa é que nos leva ao Pai, tanto por aquilo que ele faz como por nossa participação e seguimento[8]. O caminho percorrido pelos discípulos ao lado de Jesus, hoje chega até nos como testemunho destes homens, por meio dos evangelhos, nos mostrando qual caminho a percorrer, pois, o caminho de Cristo conduz-nos a vida.

O Caminho, que nos é apresentado pelo evangelho de João, nos conduz à Vida, que é o dom de Deus por excelência. A novidade não está nas teorias que Ele ensina, mas a prática que Ele vive. “Em Jesus vemos Deus – em Jesus, na véspera da cruz. Pois a glória, a ‘realização’ de Deus é amar. Jesus ama até o fim. É o Rosto de Deus[9]. Portanto, podemos afirmar com toda certeza que Jesus é o Caminho que nos leva ao Pai. Durante o percurso trilhado, precisamos sempre imitar as ações de Cristo, seguir seus exemplos.

É por meio deste caminho apresentado por Jesus que conhecemos o Pai. Podemos perceber que “Deus-Pai de Jesus Cristo, é também o Deus Criador. É o Pai de Jesus que é o senhor do universo[10]. Jesus fala e age, mas antes de tudo Ele é Filho. Por ser Filho, Ele nos apresenta seu Pai que está nos céus. O caminho que Jesus nos apresenta, nos mostra Deus que revela seu Filho, por meio do Espírito Santo. Após sua morte, também conhecemos Deus Pai que ressuscita o Seu Filho para sua glória.

 

Pe. Leandro Couto

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[1] René LATOURELLE, op. cit., p. 484.

[2] Cf. Ibidem.

[3] Idem, p. 485.

[4] Luiz F. LADARIA, O Deus Vivo e Verdadeiro: O mistério da Trindade, 2005, p. 64.

[5] Cf. CAT n. 461.

[6] Andrés Torres QUEIRUGA, A Revelação de Deus na realização humana, 1995, p. 34.

[7] Cf. Hans KESSLER, Cristologia, in Theodor SCHNEIDER, Manual de Dogmática, 2001, p. 356-357. (v. 1).

[8] Johan KONINGS, op. cit., p. 271-272.

[9] Idem, p.  282.

[10] François-Xavier DURRWELL, op. cit., p. 15.

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