Frases de Santos

Catequese › 30/11/2020

Ira

 

 

A Ira é um componente do temperamento em si não é boa e nem má: pode ser uma irritação diante do bem e diante do mal, pode ser mais ou menos violenta, com manifestações orgânicas, pois se percebe claramente que quando uma pessoa está irada, manifesta-se fisicamente uma reação nervosa desordenada diante de uma situação, podendo chegar à vingança que, no campo espiritual, pode-se falar pecado.

A Ira é um desvio de um sentimento que impulsiona a defender-nos quando somos atacados, repelindo a força com a força.

A natureza da Ira: Ira Paixão e Ira sentimento

A Ira, considerada como paixão, é uma necessidade violenta de reação, motivada por sofrimento ou contrariedade física ou moral. Essa contrariedade desencadeia uma emoção violenta que potencializa forças para vencer a dificuldade: sente-se impulsos de descarregar a ira sobre as pessoas, os animais ou coisas.

Ela se distingue em duas formas: a Ira Vermelha ou expansiva dos fortes e a Ira Branca ou espasmódica dos fracos. Na primeira o coração bate com violência e impele o sangue para os poros: a respiração acelera, o rosto envermelhece, o pescoço incha, a veias ficam saltadas, os cabelos eriçados, os olhos parecem saltar do rosto, as narinas dilatam, a voz se torna rouca, entrecortada e vigorosa. Cresce a força muscular: todo corpo fica tenso, preparado para lutar, e o gesto irresistível golpeia contra o obstáculo, rompe-se ou afasta-o. na Ira Branca o coração encolhe-se, a respiração torna-se dificultosa, o rosto empalidece extremamente, a fronte transpira um suor frio, apartam-se as mandíbulas e mantêm-se um impressionante silêncio. Todavia, a agitação, contida interiormente, acaba irrompendo brutalmente e descarrega golpes violentos.

A Ira, enquanto sentimento, é um ardente desejo de rechaçar e castigar o agressor.

Há uma ira legitima, uma santa indignação, que é somente um desejo ardente, porem razoável, de impor aos culpados um justo castigo. Assim Jesus irou-se justamente contra os vendedores que, com suas negociações, maculavam a casa do Pai (Jo 2,13-17). De modo contrário, o sumo sacerdote Eli foi severamente repreendido por não ter corrigido o mau comportamento de seus filhos (I Sm 2,12-34).

Para que a Ira seja legitima, deve ser: a) justa em seu objetivo, não visando senão punir quem o mereça e na medida merecida; b) moderada em seu exercício, não indo além do que reclama a ofensa cometida; c) caritativa na intenção, não se deixando levar por sentimentos de ódio, mas procurando somente restabelecer a ordem e obter a emenda do culpado. Se faltar umas destas condições, haverá na ira um excesso repreensível.

Toda via, a ira é um pecado capital quando se torna um objeto violento e imoderado de castigar o próximo sem levar em consideração as três condições acima exposta.

A ira possui  graus de intensidade: a) no principio não passa de um movimento de impaciência: mostra-se mau humor à  primeira contrariedade, ao primeiro insucesso; b) então segue-se a agitação, que traz irritação desmedida, onde se manifesta o descontentamento com gestos desordenados; c) as vezes chega a violência e manifesta-se, não somente com palavras, mas também com golpes; d) pode chegar ao furor, que é uma espécie de loucura passageira… e) por fim, degenera em um ódio implacável que somente respira vingança e chega a desejar a morte do adversário.

Um dos remédios para vencer a Ira é a paciência, que reage ao mal com: o silencio, a calma, o sorriso. Foi assim que Jesus respondei aos males que sofreu na Paixão. Para vencer a Ira, o perdão é o remédio mais eficaz. O perdão é a atitude contrária à vingança que destrói a todos: quem vinga e quem sofre a vingança. O perdão salva aquele que perdoa e aquele que é perdoado.

Referencia:

CARREIRA, Dom Joaquim Justino. Trevas ou Luz: Os Pecados Capitais e os Dons Do Espirito Santo. Ajuda à Igreja que Sofre. São Paulo, 2011

TAMQUEREY, Adolphe. Compendio de Teologia Ascética e Mística. Tradução de Dalton César Zimmermann, Campinas – SP. Editora Ecclesiae, 2018

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