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Liturgia › 26/04/2020

História da Liturgia: A restauração no século XIX

O século XIX reafirma o princípio da revelação, do dogma e da tradição, assim como o respeito devido à hierarquia, em reação a uma religião confinada aos limites da pura razão. Esta valorização da Tradição tem o seu reflexo na liturgia: o gosto pelas orações latinas, pelas cerimônias e rubricas, bem como o entusiasmo pela música gregoriana caracterizam essa época da Restauração.

Mesmo com esta restauração, o movimento ainda não favorece a participação do povo na ação litúrgica; o culto cristão chega a ser considerado como realidade intangível e misteriosa, obra perfeitíssima do Espírito, ao abrigo de toda evolução histórica, envolto pelo halo protetor da língua sagrada: a língua latina. Neste contexto, surge a figura, sob tantos aspectos importante, do abade Próspero Gueranger (1805-1875).

Adversário acérrimo das “liturgias neogalicanas” surgidas no século anterior, Gueranger exige um retorno incondicional aos livros autênticos da liturgia romana pura. Autor de grandes obras como Institutions liturgiques e L’année liturgique, D. Gueranger, no entanto, é partidário de uma explicação completa dos textos e cerimônias do culto diante do povo; segundo ele, o culto deve manter-se sempre encoberto para o povo cristão pelo véu de mistério.

O pensamento de Gueranger pode ser resumida nas seguintes teses: a liturgia é por excelência a oração do Espírito na Igreja, é a voz do corpo de Cristo, da esposa orante do Espírito; há na liturgia uma presença privilegiada da graça; nela se encontra a mais genuína expressão da igreja e de sua tradição; a chave de inteligência da liturgia é a leitura cristã do Antigo Testamento, bem como a do Novo apoiada no Antigo. A Igreja como corpo e esposa de Cristo contrasta com a piedade individualista pós-tridentina que Guéranger critica.

 

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