Frases de Santos

Catequese › 27/11/2020

Gula

 

 

Gula é comer além do necessário para se alimentar. Para alguns, o prazer de comer passou a ser um fim em si mesmo; esse é o erro. Na sua simbologia maior significa voracidade, busca do prazer imediato e diz respeito ao prazer desregrado de comer e beber. Também envolve o querer satisfazer todos os próprios desejos de possuir muitas coisas, coisas em exagero e compulsividade: na bebida, na comida, nas viagens, nas diversões e coisas semelhantes. A compulsão leva a pessoa a medir esforços para satisfação dos seus desejos, buscando todos os meios lícitos e ilícitos para alcançar os seus fins.

Escrevendo aos filipenses, São Paulo se refere àqueles cujo “deus é o ventre” (cf. Fl 3,19), isto é, o alimento. Se a Igreja nos aponta a gula como um vício capital é porque ela gera outros males: preguiça, comodismo, paixões, doenças, etc… Podemos comer e beber com moderação e gosto, mas não podemos fazer da comida um meio só de prazer; isso desvirtua a alimentação.

A Gula é difícil de ser reconhecida porque envolve prazeres naturais da vida que é o comer e o beber, sem os quais não sobreviveremos. Levada ao excesso, pode nos conduzir ao suicídio. A Gula é uma porta aberta pela prática dos pecados da Luxúria e da Inveja, desencadeando bebedeiras, comilanças, álcool, drogas e orgias, usando a desculpa de que todos têm o direito à satisfação e ao prazer.

“Eu como para viver ou vivo para comer?”

O mal da gula é que ela faz com que a alma se torne escrava do corpo, deixando o homem mais materialista, enfraquecendo sua vida intelectual e moral, e sutilmente prepara o caminho para os prazeres da volúpia (prazer sexual, luxuria), que, no fundo, são do mesmo gênero.

A Gula é pecado grave:

  1. quando atinge o excesso que nos tornam, por tempo considerável, incapazes de cumprir as obrigações de nosso estado ou de obedecer às leis divinas ou eclesiásticas. Por exemplo, quando prejudica a saúde, quando é origem de gastos incontrolado que comprometem os interesses da família, quando conduz à violação das regras do jejum e da abstinência.
  2. Quando se torna causa de outras faltas graves. Como por exemplo: incontinência, incontinência dos olhos e dos ouvidos, que pedem alimentos pouco saudáveis… a intemperança no comer e no beber; o pecado da língua nos banquetes suntuosos e prolongados!; pecado contra a justiça e a caridade, maledicência calunias, detrações (menosprezo); pecado contra a prudência ao prometer coisas que não é capaz de cumprir sem violar todas as leis morais.

Um corpo pesado debilita o espírito. Santo Agostinho dizia que temia não a impureza da comida, mas a do apetite. Ele escreve uma página sábia sobre isso: “Vós me ensinastes a ingerir os alimentos como se tratasse de remédios”. Santa Catarina de Sena dizia que “o estômago cheio prejudica a mente”. E Santo Ambrósio afirmava que: “Aquele que submete o seu próprio corpo e governa sua alma, sem se deixar submergir pelas paixões, é seu próprio senhor: pode ser chamado rei, porque é capaz de reger a sua própria pessoa”. E o líder pacifista indiano Gandhi afirmava que “a verdadeira felicidade é impossível sem verdadeira saúde, e a verdadeira saúde é impossível sem o rigoroso controle da gula. Todos os demais sentidos estarão, automaticamente, sujeitos ao controle quando a gula estiver sob controle”.

O Remédio contra a Gula:

O princípio que nos deve orientar na luta contra a gula é a consideração de que o prazer não é um fim, mas um meio, e que, por conseguinte, deve estar subordinado à reta razão iluminada pela fé. A fé nos ensina que é preciso santificar os prazeres da mesa por meio da pureza de intenção, da sobriedade e da mortificação.

A virtude oposta à gula é a temperança: evitar todos os excessos no comer e no beber. Para destruir as raízes da gula é preciso submeter o corpo à mortificação. Como remédio contra a gula a Igreja propõe também o jejum; não como um valor em si mesmo, mas como um instrumento para dominar a paixão.

Existem muitas pessoas que, ao invés de comer para viver, vivem para comer. Portanto, para vencer o pecado da Gula é bom levantar-se da mesa sem se saciar completamente e pensar em tantas pessoas que não têm o que comer e abrir-se à partilha. A vitória sobre a Gula ajuda a vencer a Avareza que busca guardar tudo para si; essa vitória será mais completa quando a caridade triunfar sobre o egoísmo e a Avareza.

Referencia

AQUINO, Felipe: <https://formacao.cancaonova.com/igreja/doutrina/o-pecado-da-gula/> Acesso em 26/06/2018

CARREIRA, Dom Joaquim Justino. Trevas ou Luz: Os Pecados Capitais e os Dons Do Espirito Santo. Ajuda à Igreja que Sofre. São Paulo, 2011

TAMQUEREY, Adolphe. Compendio de Teologia Ascética e Mística. Tradução de Dalton César Zimmermann, Campinas – SP. Editora Ecclesiae, 2018

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