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Notícias › 20/01/2021

Guatemala: uma caravana de migrantes privados de tudo

Migrantes hondurenhos atravessam a Guatemala (ANSA)

 

Continua a grande caravana de migrantes de Honduras que tentam atravessar a Guatemala com destino aos Estados Unidos. As tensões e confrontos com as forças de segurança não cessaram. Um salesiano da região afirma: “Fogem da pobreza e da fome”

Benedetta Capelli – Vatican News

Nove mil pessoas fugindo da miséria, da falta de oportunidades e dos desastres causados pela passagem de dois furacões devastadores que levaram Honduras à carestia. Há uma semana, como aconteceu em 2018, milhares de migrandes fazem a rota da esperança para encontrar seu Eldorado nos Estados Unidos. Na véspera da abertura do mandato de Biden, entretanto, as autoridades americanas deixaram claro “que agora não é o momento de partir para os EUA, pois a situação na fronteira não vai mudar da noite para o dia”.

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Uma crise regional

Nestes dias a caravana de migrantes tentou superar as barreiras de agentes em Vodo Hondo no departamento de Chiquipulas, mas como resposta receberam gás lacrimogêneo e violência. Na segunda-feira (19) ocuparam uma estrada perto de México causando 30 quilômetros de fila, bloqueando automóveis e caminhões que transitavam entre Honduras e Guatemala. Enquanto as autoridades discutem de ambas as partes, cada um com suas próprias razões, sempre a crise, as pessoas continuam seu caminho.

Pessoas com fome

Migrantes de Honduras

A vice-ministra do exterior hondurenha Nelly Jerez garantiu para os que voltam atrás, uma colocação em um programa do Serviço Nacional de empresariado (Senprende) de Honduras que pretende “converter cada migrante em um microempresário”. Cerca de 1800 já voltaram, outros estão na estrada da fronteira com o México, e outros no departamento de Petén. Aqui encontramos o salesiano padre Giampiero Nardi, 44 anos, de Roma, na Guatemala desde 2011.

O missioniário

Padre Giampiero é responsável pela pastoral social da diocese de San Benito em Petén desde 2012. “Muitas pessoas estão de passagem e procuram comida, não param nem mesmo para dormir porque querem ir o mais adiante possível. Chegam aqui muito famintos – diz o sacerdote – percebe-se que não comem há dias. Há muitas crianças pequenas e em nossa Casa do Migrante há também duas unidades familiares, que nos últimos anos temos usado muito pouco, mas nestes dias estão lotadas”. Setenta pessoas são hospedadas pelo missionário italiano, respeitando as regras anti-Covid, “muitas – acrescenta – dormem no chão e nos corredores, mas é melhor do que dormir no frio ou em situações perigosas”. “Estamos tentando lidar com a emergência, oferecemos em média 150 refeições por dia, a panela de sopa – confessa, sorrindo – está sempre cheia para os que chegam”.

Crianças e avós no caminho

Honduras é um país que passa fome”, conta padre Giampiero, “as pessoas perderam tudo, realmente tudo, por causa dos furacões que devastaram o país”. O missionário revela que ouviu “histórias trágicas” das pessoas que acolheu. Muitos perderam suas casas, seus afetos, e um homem contou que viu sua esposa ser levada pela corrente do rio. O sacerdote também se surpreende com o fato de famílias inteiras terem decidido partir, até mesmo com os avós nesta caravana, e isto é algo que surpreende. Nas palavras do padre Giampiero há também a denúncia de vários episódios desagradáveis contra os migrantes forçados a pagar para continuar o seu próprio caminho de esperança.

Migrantes de Honduras

 

Na Guatemala, a luz de Jesus e a sombra da pobreza

Na Igreja, trabalhamos em unidade e colaboração. Todas as Casas de Migrantes na Guatemala e no México fizeram um balanço da emergência sanitária que está em acontecendo. A Guatemala registra mais de 5 mil vítimas de Covid, é o primeiro da área em número de mortes depois do Panamá, que tem uma população 4 vezes menor. “Também estamos fazendo trabalho com relação a eventuais denúncias de abuso policial, mas na Casa pensamos na pessoa, na sua proteção porque oferecemos uma cama para dormir e os medicamentos que forem necessários”. Há também a Providência que ajuda de forma inesperada. “O Senhor – sublinha padre Giampiero – sempre me faz surpreender. Comigo há dois enfermeiros voluntários da Espanha, que chegaram quando esta emergência ainda não havia explodido e agora são providenciais.

Via: vaticannews.va/pt

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