Frases de Santos

Homilia › 29/09/2020

Festa dos Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael.

 

 

São muitas as duvidadas que as pessoas tem sobre os anjos e arcanjo. E muitos até perguntam: anjos existem?

Existem, não como muitos por aí pensam: seres alados, andrógenos, personificação de seres humanos. Essas imagens são fictícias construídas ao longo da história para facilitar o entendimento das crianças sobre os arcanjos. Mas, infelizmente aquilo que foi criado para facilitar o entendimento das crianças acabou confundindo os adultos, que baseiam seu conhecimento teológico apenas na catequese da infância. Como muitos ainda não entendem o que é ter fé, ainda precisam de coisas palpáveis para alimentar a sua fé.

Os anjos não são encarnações humanas. O único que se encarnou e se fez como nós, exceto no pecado, foi Jesus. Os anjos são espíritos de Deus – espírito (pneuma) = sopro, hálito de Deus – portanto os anjos não são visíveis, no sentido literal. Os anjos são invisíveis em sua essência, mas podem ser visíveis numa situação concreta, em um acontecimento e até numa pessoa, instrumento de Deus colocada no nosso caminho, na nossa vida, para nos orientar diante de uma situação. Assim como vemos no livro de Tobias (Cf. 12,15).

Os anjos são seres misteriosos. O profeta Daniel também fala deles misteriosamente no texto que hoje escutamos na primeira leitura. Nós costumamos representá-los como homens de rosto suave e doce. Mas, na Sagrada Escritura, aparecem, muitas vezes como seres terríveis, que incutem temor, porque são manifestação do poder e da santidade de Deus, e nos ajudam a adorá-lo dignamente.

O evangelho também nos mostra os Anjos subirem e descerem ao serviço do Filho do homem. Os Anjos estão, portanto, ao serviço do Filho do homem, isto é, de Jesus de Nazaré. A nossa adoração dirigida a Deus e ao Filho de Deus.

São Gregório Magno nos ensina que:

“É preciso saber que a palavra anjo indica o oficio, não a natureza. Pois estes santos espíritos da pátria celeste são sempre espíritos, mas nem sempre podem ser chamados anjos, porque somente são anjos quando por eles é feito algum anuncio. Aqueles que anunciam fatos menores são ditos anjos; os que levam as maiores notícias, arcanjos. Foi por isso que à Virgem Maria não foi enviado um anjo qualquer, mas o Arcanjo Gabriel; para esta missão, era justo que viesse o máximo anjo para anunciar a máxima notícia. Por este motivo também a eles são dados nomes especiais para designar, pelo vocabulário, seu poder e ação. Naquela santa cidade, onde há plenitude da ciência pela visão do Deus onipotente, não precisam de nomes próprios para se distinguirem uns dos outros. Mas quando vêm até nós para cumprir uma missão, trazem também entre nós um nome derivado desta missão. Assim Miguel significa: “Quem como Deus?”; Gabriel, “Força de Deus”; e Rafael, “Deus cura”.

Todas as vezes que se trata de grandes feitos, diz-se que Miguel é enviado, porque pelo próprio nome e ação dá-se a entender que ninguém pode por si mesmo fazer o que Deus quer destacar. Por isto, o antigo inimigo, que por soberba cobiçou ser igual a Deus, dizendo: Subirei ao céu, acima dos astros do céu erguerei meu trono, serei semelhante ao Altíssimo ( cf. Is 14,13-14), no fim do mundo, quando será abandonado às próprias forças para ser destruído no extremo suplício, pelejará com o arcanjo Miguel, como diz João: Houve uma luta com Miguel arcanjo (Ap 12,7).

A Maria é enviado Gabriel, que significa “Força de Deus”. Vinha anunciar aquele que se dignou aparecer humilde para combater as potestades do ar. Portanto devia ser anunciado pela força de Deus o Senhor dos exércitos que vinha poderoso no combate. Rafael, como dissemos, significa “Deus cura”, porque ao tocar nos olhos de Tobias como que num ato de cura, lavou as trevas de sua cegueira. Quem foi enviado a curar, com justiça se chamou “Deus cura”.

Esta realidade que os nossos olhos não sabem ver foi-nos revelada para que, pela fé, esperança e caridade, combatamos o bom combate e apressemos a realização do reino de Deus. Se oferecermos o nosso humilde contributo, receberemos um olhar interior puro. Então contemplaremos a Misericórdia que abriu os céus e veio morar entre nós para nos abrir o caminho para o Pai onde, com os anjos, partilharemos a sua intimidade. Ele revelou-nos o mistério do homem para que, com os anjos, aprendemos a ir ao encontro dos irmãos. Introduziu-nos no seu Reino, para que, tornados voz de todas as criaturas, cantemos eternamente, com o coro angélico, a glória de Deus.

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