Frases de Santos

Formação › 08/12/2020

Espírito Santo e a Liturgia

 

Ao olhamos para o culto no novo testamento, temos como fundamento o próprio Jesus, pois ele não deixa de lado ou elimina o culto judaico, Jesus agora é “templo” do verdadeiro culto (Cf. Jo 2,19-22).

O culto novo continua comunitário e social, mas de maneira que o povo convocado como ‘sacerdócio régio e nação santa’ (cf. 1Pd 2,9; Ap 1,16; 5,10), é agora uma fraternidade no Espírito (cf. At 2,42-45; 4,32-35 etc). As comunidades são chamadas igrejas (cf. At 5,11; cf Dt 4,10) Igrejas de Deus (At 20,28; 1Cor 1,2) e de Cristo (Rm 16,16) que invocam o nome de Jesus (cf. 1Cor 1,2) e se reúnem em assembleia (cf. 1Cor 11,18.20; 14,28)[1].

A partir do Mistério Pascal de Cristo e do mistério de Pentecostes, o culto encontra maior sentido interno e espiritual, pois se desenvolve sob a ação do Espírito Santo. O culto de certa forma é definido pelas ações e atos internos ou externos do homem que os leva a uma união íntima com Cristo transformada pelo Espírito Santo[2].

O Espírito Santo é o pedagogo da fé do povo de Deus na liturgia. Ele prepara a Igreja para encontrar o seu Senhor, na liturgia manifesta o próprio Cristo, torna presente e atualiza o mistério de Cristo, unindo a igreja com seu Espírito de comunhão[3].

O centro do mistério litúrgico está intimamente ligado ao Mistério Pascal de Jesus mediante a ação do Espírito Santo, manifestado no dia de pentecostes. Portanto, podemos afirmar que existe uma relação essencial entre o Mistério Pascal e a liturgia, onde aparece toda riqueza da páscoa do senhor. Para compreendermos esta relação, principalmente a ação e presença de Jesus Cristo na liturgia é necessária a virtude do Espírito Santo[4]. Sem a ação do Espírito Santo não seria possível a celebração da liturgia.

A partir do dia de pentecostes, toda ação liturgia se torna repleta do Espírito Santo e, por causa desta presença do Espírito, a liturgia se torna o lugar onde Cristo é oferecido. Portanto, toda vida de Cristo, de certa forma mais precisamente a última ceia (Mc 14,18-25), Morte e Ressurreição de Jesus, ou seja, o Mistério Pascal de Cristo (também podemos acrescentar toda história da salvação) se torna liturgia atual para os fiéis[5]. Em Pentecostes, o culto já existente ganha novo sentido, pois, o Espírito Santo se faz presença na vida da igreja. “O Espírito Santo é o novo consolador e a nova presença de Jesus como Kyrios, Senhor e Salvador, em meio a seu povo. O Pneuma é o Espírito do Senhor glorificado em meio ao seu povo[6]. O Espírito agora habita no meio de seu povo, principalmente, nas ações litúrgicas.

“A Liturgia geralmente não se dirige diretamente ao Espírito Santo, exceto nos cânticos, mas manifesta a sua ação e revela a sua presença recorrendo a gestos e palavras, e também ao silêncio. De modo mais profundo ainda, na liturgia, a Igreja reza, age e vive no Espírito Santo”[7]. É por meio do Espírito Santo que a liturgia é vivificada e se frutifica na vida dos fiéis, ou seja, é por meio do Espírito Santo que toda ação cultual, litúrgica, é renovada e se faz única e viva na vida do cristão. Portanto, na liturgia é atualizada de forma viva e eficaz a obra de salvação (Mistério Pascal) de Cristo.

 

Pe. Leandro Couto

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[1] Julián López MARTÍN, op. cit., p. 88.

[2] Cf. Idem, p. 88-89.

[3] Cf. CAT n. 1091-1092.

[4] Cf. L. MALDONADO; P. FERNÁNDEZ, A celebração Litúrgica: Fenomenologia e teologia da Celebração, in Dionísio BOROBIO, A Celebração na Igreja: Liturgia e sacramentologia fundamental, 2002, p. 260-261. (v. 1).

[5] Cf. COMISSÃO TEOLÓGICO-HISTÓRICO DO GRANDE JUBILEU DO ANO 2000, Senhor: A Terra está repleta do Teu Espírito, 1997, p. 90.

[6] Ibidem.

[7] COMISSÃO TEOLÓGICO-HISTÓRICO DO GRANDE JUBILEU DO ANO 2000, Vinde Espírito Santo, 1997, p. 15.

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