Frases de Santos

Artigos › 11/06/2020

ENTENDA O LIVRO “FIM DOS TEMPOS” DO PADRE A. SÁENZ!

 

Por Bruno Mendes

Colocamos na íntegra abaixo a apresentação do professor Leonardo Penitente a esta magnífica obra do padre jesuíta Alfredo Sáenz. Quem adquirir o livro na loja receberáá o mesmo texto. Usamos alguns destaques em negrito para as partes que desejamos chamar atenção do leitor.

 

Apresentação para a edição brasileira
Por Leonardo Penitente

Exultante de alegria e regozijo escrevo esta apresentação. Quis o Divino Amor que a nossa Pátria pudesse receber, pelas mãos providentes do Centro Dom Bosco, esta magnum opus escrita pelo Pe. Alfredo Sáenz.

Este sacerdote jesuíta, com o apaixonado e fulgurante espírito argentino, está por inteiro nesta obra teológica colossal e reluzente. Ressuscita, em sua figura ímpar, a alma da ratio studiorum, fazendo-nos enxergar, ao vivo e a cores, a pujança de um programa que foi maliciosamente conspurcado por forças preternaturais.

Sem exageros, podemos considerá-lo, hoje, o mais erudito dos jesuítas vivos. Testemunha tal opinião a lucidez de seu intelecto e a riqueza impactante de seus pensamentos. Todos os temas tratados por essa alma cavalheiresca é o reflexo de uma educação rigorosa e esmerada, que só a ratio seria capaz de nutrir num intelecto disposto.

Homens de estirpe elevada como este, à toda evidência, faz-nos chorar amargamente o envenenamento que, por séculos e gradativamente, foi asfixiando o método vivo e luminoso pelo qual os jesuítas conseguiram, em resumo, civilizar inclusive os agrupamentos humanos desprovidos sequer de um código linguístico básico. Pe. Sáenz cumpre com rigor e abnegação, escudado pelos fundamentos inacianos, a caridosa determinação de nosso Divino Redentor: ide e ensinai a todos!

Um dos capítulos mais sacrílegos da conjuração anticristã, da revolta soberba dos bandos de Satanás contra a milícia de São Miguel, ainda em marcha neste mundo, foi indubitavelmente o ataque contra os jesuítas e seus avanços pedagógicos – efeito maléfico do qual o Pe. Sáenz, com a Graça de Deus e seu esforço heroico, saiu ileso. Nunca se poderá esquecer de que grito satânico esmagai o infame saiu da boca ímpia de Voltaire dirigido diretamente contra os jesuítas.

De sua extinção oficial até, nos dias atuais, a diabólica infiltração marxista, a ordem de Santo Inácio de Loyola, o braço direito da Igreja e do Papa, sem os instrumentos e a potência para civilizar novamente o mundo, perde-se no esforço de, ao menos, reconquistar seus princípios originais.

Restou-nos o Pe. Sáenz, porque o Espírito Santo nunca abandona a Sua Esposa, a Igreja de Cristo! E, tal como outrora veio civilizar-nos São José de Anchieta, com a nau das armas e dos barões assinalados, inflamado no Amor de Cristo, na Comunhão dos Santos, que estende seus efeitos por toda a história humana, agora o Centro Dom Bosco nos entrega, em meio à selvageria que por estas bandas novamente grassa e campeia, uma obra de altíssimo teor metafísico, ou seja, de altíssimo valor civilizacional.

Mas não só! Para cada tempo, o remédio adequado providencia o Divino Salvador. Com os índios, o teatro para ensinar os Dez Mandamentos e a atuação dos espíritos malignos em alguns comportamentos indígenas – as peças de São José de Anchieta são ricas neste particular. Vem-nos agora, com o Pe. Sáenz, a questão do Fim dos Tempos – em boa hora novamente, aliás. Já não podemos disfarçar e esconder o estupendo e complexo problema do fim da humanidade neste mundo e a restauração por Cristo – e já que a ninguém é dado saber o dia exato, não nos consta que seja proibido pelo menos imaginá-lo. Para uma imaginação fértil como a deste indigno apresentador, e a julgar pelas coisas sombrias e completamente indignas que andam acontecendo neste mundo que nos rodeia, presumo não estar tão longe o advento do Apocalipse. Esperemos o cumprimento dos outros requisitos apontados pelas Sagradas Escrituras. De qualquer maneira, em boa hora nos chega este livro do Pe. Sáenz!

Voltemos ao Pe. Sáenz (e a esta obra-prima): sua alma é elevada, sua cultura e erudição quase inesgotáveis; é dono de um intelecto excelso, e suas reflexões estão sempre carregadas de sentido e beleza, são profundas e graves. Suas preleções orais são grandiloquentes e o seu domínio de vários idiomas surpreende. Repita-se: um autêntico herdeiro das humanidades clássicas, um homem que abrange, em si, o domínio da mais sublime cultura clássica Ocidental que nos precedeu, apto a sustentá-la no presente, e abrindo as possibilidades do porvir.

Neste livro, o humanista clássico se lança a tratar certos assuntos muito espinhosos e que exigiriam, de qualquer intelectual, especialmente católico, uma desenvoltura incomum e uma ortodoxia excepcional. Não bastou ao Pe. Sáenz tocar em temas de extrema cautela, como, por exemplo, o meio seguro de interpretar os versículos bíblicos sobre o fim dos tempos, no Apocalipse de São João Evangelista. Quis ainda, com sua erudição e incrível capacidade para decifrar os significados profundos por trás das letras, rastrear em sete autores modernos (e suas obras mais relevantes) os enredos escatológicos ali existentes.

É dizer: o Pe. Sáenz não apenas nos conduz a bem entender, com o auxílio sempre necessário e seguro do Magistério da Santa Igreja Católica, os problemas relacionados com o fim dos tempos, segundo as Sagradas Escrituras, mas também nos acompanha, tal qual Virgílio a Dante, com maestria e sabedoria, a uma interessante viagem pelas principais obras de literatos modernos como Dostoiévski e Soloviev, para ficar apenas com dois exemplos emblemáticos.

Uma dupla obra de caridade vemos neste livro. Em primeiro lugar, o nosso sacerdote consegue extrair magistralmente das passagens de Dostoiévski, dado o seu conhecimento invulgar do idioma russo, uma riqueza e uma beleza que, sozinhos, dificilmente conseguiríamos ver. Depois, é caridoso também com o próprio autor de Crime e Castigoaspergindo água benta e por vezes até mesmo exorcizando algumas passagens, a ponto de integrá-las nos ensinamentos da Sã Teologia Católica.

Com paciência e labor de um erudito com pleno domínio das técnicas da ratio, vai aqui e acolá extraindo o belo e o verdadeiro que porventura estivessem camuflados neste ou naquele trecho mais sinuoso. Sacou do autor russo o que havia de católico, consciente ou não, e elevou seus escritos, tanto quanto pode e lhe foi permitido, à História Universal, cujo sentido pleno é Cristo e Seu Corpo Místico.

Que a concepção de Dostoiévski, por exemplo, sobre o mal, abundantemente tratada em Crime e Castigo, possa ter algo de gnóstico, não o ignoramos – seus mais respeitados intérpretes já nos advertiram sobre isso (vide NicolasBerdiaeff, em El Credo de Dostoievski, Barcelona-Espanha. Ed. Apolo. 1951, p. 97). Muito pior, aliás, foi o vergonhoso poema, escrito em prosa, chamado de O Grande Inquisidor, nos Irmãos Karamázov,pelo qual ataca gratuitamente a Santa Igreja, por pura ignorância – queremos crer. O Pe. Sáenz, evidentemente, conhece todos estes atropelos, como, aliás, demonstram as páginas dedicadas, posteriormente, a Soloviev, na quais apresenta os problemas contidos em alguns trechos das obras de Fiódor.

Mas é justamente esse fato que torna a sua obra ainda mais essencial para todos nós, e a sua leitura ainda mais obrigatória. O nosso sacerdote argentino, com a sua penetrante e intensa inteligência, penetra nas entrelinhas da obra de Dostoiévski, e dali arranca bondosamente o que de mais humano e verdadeiro se poderia extrair, para só depois integrar os resultados, assim depurados, aos dogmas católicos pertinentes.

O Pe. Sáenz faz o ousado serviço, ainda que não diga expressamente que o fará, de restaurar a obra dostoievskiana, afastando seus erros considerados gnósticos e, de forma velada, excomungando-os a partir de uma releitura rigorosamente católica de seus escritos.

O nosso sacerdote não hesita em encontrar os pontos pelos quais Dostoiévski teria pensado para Cristo. Ora, não foi São Paulo, o Apóstolos dos gentios, homem instruído na cultura helênica de Tarso, quem citou, em suas cartas, ao menos três poetas gregos pagãos, não isento de erros graves: Arato, Menandro e Epimênides? Não queiramos ser mais realistas que o Rei, que, pessoalmente, chamou São Paulo a Seu serviço – sabendo de suas preferências e referências literárias. Humanis Divina Iunguntur!

Quanto a Vladímir Soloviev, também não constitui novidade que algumas de suas concepções, sobretudo no início de sua produção intelectual, foram em grande medida gnósticas, muito embora sua obra mais expressiva (amplamente comentada pelo Pe. Sáenz), os Três diálogos, constituiu uma resposta ao gnosticismo de Liev Tolstói. Além disso, pode-se acusar Soloviev de ter defendido a doutrina milenarista, francamente herética e amplamente condenada pelo Santo Magistério.

Mas o fato central é que, no fim de sua existência terrena, converteu-se à Santa Igreja Católica e abjurou de todos os seus erros filosóficos e teológicos. Aqui, como em Dostoiévski, continua válido e legítimo o mesmo argumento: o Pe. Sáenz não ignora, com sua erudição incomum, os problemas de Soloviev, mas consegue compreender com grandeza as chamas reluzentes de suas ideias essenciais e acomodá-las às exigências dos santos dogmas da única Igreja de Cristo. Principalmente o seu último texto, intitulado Breve relato sobre o Anticristo, é de uma profundidade escatológica sem precedentes, do qual soube o Pe. Sáenz destacar e pôr em máximo relevo o catolicismo subjacente, provavelmente inconsciente para Soloviev, em todas as dimensões de sua narrativa.

Tão cioso de seu dever de ajudar o leitor a compreender os símbolos escatológicos do Apocalipse, de acordo com o seguro norte que indica a Santa Igreja, o Pe. Sáenz, ao tratar das obras singulares do Pe. Leonardo Castellani, faz um rigoroso histórico sobre as posições chamadas milenaristas – acompanhando as análises do conterrâneo.

O procedimento é sempre o mesmo no decorrer desta grande e necessária obra: primeiro ele apresenta o problema teológico de um autor para depois aprofundá-lo nos seguintes. O problema da gnose, v. g., surge no capítulo dedicado a Dostoiévski, mas só é amplamente tratado naquele que aborda Soloviev. De igual modo, o problema milenarista aparece em Soloviev e é amplamente tratado quando aborda o Pe. Castellani e, de certa maneira, no último capítulo dedicado a Hugo Wast.

Sabemos que os comentários que o Pe. Castellani faz sobre as sagradas revelações do Apocalipse de São João gozam de uma autoridade indiscutível, porque estão fundados nas exegeses dos primeiros padres da Santa Igreja. Na parte que toca ao complexo Capítulo 20, do sagrado livro do Apocalipse, o nosso Pe. Leonardo se mostra favorável a um milenarismo mitigado, fazendo amplo uso das citações dos Santos Padres primitivos.

O Pe. Sáenz mesmo reconhece e avoca como um testemunho de certa forma benevolente ao milenarismo castellaniano, a breve modificação e adaptação que fez o Santo Ofício, num decreto de 1944, preferindo a expressão “visivelmente” ao termo “corporalmente”. Corporalmente Nosso Senhor Jesus já reina na vida da Igreja neste mundo, simplesmente porque o Seu Sacrossanto Corpo está presente, real e sacramentalmente, na Sagrada Eucaristia.

Não deixa de ser verdade, também, que a Santa Igreja já considerou formalmente herético o milenarismo chamado carnal, ou corporal, e, quanto ao chamado espiritual ou sutil, a mesma Congregação determinou que não se poderia ensiná-lo de modo seguro. Em tese, a proibição do milenarismo mitigado reduz-se ao seu ensino – alega o Pe. Sáenz.

De qualquer forma, o católico atento e prudente deve rejeitar todo o tipo de milenarismo (especialmente o carnal). Tendo o Pe. Castellani, digamo-lo com clareza, adotado o milenarismo espiritual mitigado como uma interpretação possível, e justificado esta forma de ver as coisas alegando que, afinal, a Santa Igreja apenas proibira o seu ensinamento, mas não o condenara formalmente, deixando aberto o campo exegético, mesmo assim este ponto específico de seu prodigioso e impactante pensamento deve ser tomado com as cautelas devidas. É, em geral, como age o Pe. Sáenz.

Os outros quatro autores (Benson, Thibon, Pieper e Wast) mantêm uma ortodoxia invejável em matéria escatológica. O capítulo referente ao Pe. Robert Benson é simplesmente brilhante, com uma abordagem sem precedentes, na literatura, do papel da maçonaria na luta contra o Reinado de Cristo. Toda uma lição sobre os efeitos deletérios da natureza sem a Graça e do homem sem Deus.

Em Gustave Thibon, Pe. Sáenz analisa de forma única e chocante a vida transformadora de Amanda, personagem principal de sua peça teatral chamada “Vós sereis como deuses”.

Em Joseph Pieper, Pe. Sáenz compreende de forma magistral as falsas escatologias derivadas de sistemas filosóficos envenenados de um Kant, de um Teilhard de Chardin e principalmente de Ernst Bloch. Aliás, a percepção pieperiana de que o mundo atual é, em essência, um pecado contra a virtude teologal da Esperança, atinge uma profundidade e insuperável penetração na patologia do mundo moderno. Belíssimo capítulo. A inteligência perfuro-cortante do Pe. Sáenz apresenta-se ali em sua melhor forma.

Por último, Pe. Sáenz dá-nos a conhecer Hugo Wast, pseudônimo de um digno fidalgo do pensamento católico. Sua figura do Anticristo é realmente impressionante e a descrição da situação do mundo moderno e da Igreja visível, é desesperadoramente profética. Novamente, volta ao tema do milenarismo e não deixa de ter as cautelas devidas e realizar uma interpretação dos textos de Wast a mais afável e conciliadora possível.

Do catolicismo rigoroso do livro é testemunha o próprio Cardeal Jospeh Ratzinger, por tê-la indicado e recomendado em 1996, quando então presidia a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé (conforme carta-recomendação incluída nesta edição).

Com sua formação no mais autêntico método da ratio studiorum, fundamentado principalmente nas humanidades clássicas e nos Santos ensinamentos do Verbo de Deus, o Pe. Sáenz é o produto vivo de uma civilização superior que só a Santa Madre Igreja é capaz de produzir.

Apresenta-nos, neste vibrante livro, toda a riqueza de significados em sete autores modernos. Nenhuma inteligência escapa incólume de suas pujantes lições. Os sete autores modernos abordados ganham novos relevos e seus escritos atingem uma altitude metafísica, depois de comentados catolicamente pelo jesuíta argentino, que nos amplia definitivamente o nosso entendimento. Extrai dessas obras o suco que elas só poderiam ter diante da Verdade, isto é, ante o Tribunal da Santa Igreja e seus Santos Dogmas.

A Terra de Santa Cruz começa a respirar o ar puro da civilização católica. Exorcizemos de vez dos círculos editoriais as encarnações daquela figura ingente e intratável, a qual o imortal poeta de Mântua chama de Polifemo, que anda a pastorear as nossas ingênuas ovelhas, infestando-as de uma literatura horrenda e obscura. Sem luz para a inteligência e emoção para o espírito. Monstrum horrendum, informe, ingens, cui lumen ademptum (Eneida, III, 658).

Ad maiorem Dei gloriam!

Via: centrodombosco.org

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