Frases de Santos

Formação › 15/01/2021

“Ceia do Senhor”

Ao falarmos da última ceia de Jesus com seus discípulos (cf Mc 14,18-25), onde ele instituiu a eucaristia, precisamos levar em consideração que era uma ceia judaica em tudo que a comporta. Mas uma refeição com claro tom pascal e, devido à proximidade da festa da Páscoa, esta refeição comporta em si todas os ritos que o a tradição judaica prescrevia (memorial, alegria, renovação da aliança, louvor, benção escatológica e laços comunitários)[1]. “A ceia e também a Eucaristia, apontam para a morte de Cristo como morte salvadora: sacrifical, expiatória, vicária… Os relatos relacionam o gesto e a palavra eucarística com a morte entendida à luz de Is 53, o Servo de Javé, entregue pelos outros, também na linha de Mc 10,45”[2]. Jesus, inocente, sendo entregue à morte de cruz e, por sua paixão, levara a salvação e a justiça a todos.

LUTZ destaca que “as palavras de Jesus na última ceia sobre o pão e o vinho, sobretudo diante do pano de fundo do Servo de Iahweh do Antigo Testamento, veremos que Jesus, na instituição da eucaristia, se ofereceu ao Pai, antecipando ritualmente o sacrifício da sua vida, que ele completou no dia seguinte pela morte na cruz”[3]. Ao instituir o Sacramento da Eucaristia, Jesus “revela-se como o verdadeiro Cordeiro imolado, previsto no designo do Pai desde a fundação do Mundo… Ao colocar o dom de si mesmo nesse contexto, Jesus manifesta o sentido salvífico da sua morte e ressurreição, mistério esse que se torna uma realidade renovadora da história e do mundo inteiro”[4]. A partir da instituição da Eucaristia, a morte de Cristo, na Cruz, foi um ato de puro amor onde nos deu a graça da libertação definitiva.

Para os discípulos, a novidade da ceia pascal de Cristo está no fato “fazei isto em memória de mim!” (Lc 22, 19). Mas o fazer memória aqui não é, simplesmente, um recordar-se subjetivo, mas sim uma ação que atualiza (anmnesis, zikkaron)[5]. Portanto, a Eucaristia é o memorial da morte salvadora de Cristo, memorial de todo Mistério Pascal de Cristo.

A partir da vontade de Jesus, “fazei isto em memória de mim!” (Lc 22, 19), na ceia pascal, encontramos a instituição dos sacramentos pascais, ou seja, os sacramentos da Iniciação Cristã, o Batismo, a Crisma, principalmente, a Eucaristia. Por tanto ao olharmos para todo contexto do memorial da ceia Pascal Judaica e o novo sentido que ela adquire a partir da última ceia celebrada por Jesus junto com seus Apóstolos[6], podemos afirmar que a “festa da Páscoa atravessa, de um ponto ao outro, toda história da Salvação e constitui-se para ela numa espécie de espinha dorsal e de fio condutor”[7]. O Mistério Pascal é o centro de toda teologia e toda História da Salvação.

 

Por: Leandro Paulo do Couto

 

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[1] Cf. José ALDZÁBAL, A Eucaristia, 1999, p. 78.

[2] José ALDZÁBAL, A Eucaristia, 1999, p. 80.

[3] Gregório LUTZ, Celebrar em Espirito e Verdade, 1997, p. 17.

[4] SCa. 10.

[5] Cf. Burkhard NEUNHEUSER, História da Liturgia: Através das épocas culturais, 2007, p. 48.

[6] Cf. Raniero CANTALAMESSA, O Mistério da Páscoa: Na história, na liturgia, na vida, 2003, p. 69.

[7] Ibidem.

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