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Notícias › 12/01/2021

Cardeal Poli: impotência e tristeza por não poder defender o direito à vida dos inocentes

A decepção que a aprovação da lei do aborto provocou horas antes do final de 2020 está no foco a carta do Primaz da Argentina que convida os fiéis a terem fé e confiança que, no final, o Deus da vida prevalecerá.

Alina Tufani – Vatican News

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“Uma lei que por muitos motivos nasce injusta e tão contrária à cultura e aos sentimentos do povo”. Assim o arcebispo de Buenos Aires, cardeal Mario Aurelio Poli, descreve a Lei que descriminaliza o aborto aprovada pelo Congresso Nacional e pela presidência, em 30 de dezembro de 2020, sob “um diáfano céu de verão”, mas que para muitos argentinos foi “uma jornada silenciosa e sombria.”

Palavras cheias de tristeza abrem a mensagem do Primaz da Argentina, que considera paradoxal que a aprovação de uma normativa que permite tirar vidas seja aprovado sob “um governo que se diz popular” e no contexto de uma pandemia que continua ceifando tantas vidas.

“Enquanto um grupo de jovens e militantes partidários celebra até o paroxismo a consagração do direito de tirar a vida dos seres que estão sendo gestados, a grande maioria dos argentinos contempla com espanto o avanço de uma legislação que prioriza o descarte dos mais fracos e tira o elementar direito que nos permite participar da festa da existência, a partir do momento em que acontece o maravilhoso dom da vida desde o momento da concepção”, observa o purpurado.

Enquanto os cristãos ainda viviam a época do Natal, o cardeal Poli destaca a “dor” da Virgem e de São José no caminho para o Egito, quando souberam do infanticídio realizado pelo rei Herodes e da dor dos esposos de quem foram tirados os filhos, “sem poder fazer nada diante do brutal abuso do poder de turno.”

Neste contexto, o cardeal recorda as palavras do Papa sobre a figura de São José – a quem dedicou um ano especial – quando afirma que, perante acontecimentos incompreensíveis da vida, muitos reagem com desilusão e rebeldia, enquanto José põe de lado seus raciocínios para dar lugar ao que acontece, o acolhe, assume a responsabilidade e reconcilia-se com sua própria história.

Em sua mensagem, o cardeal Poli afirma que a vida espiritual de José não mostra um “caminho que explica, mas sim um caminho que acolhe”, porque só da acolhida, da reconciliação, pode-se intuir uma história maior, um sentido mais profundo”.

O purpurado sublinha que José não é um homem que se resignava passivamente, mas sim um “protagonista corajoso e forte”, porque é na acolhida que se manifesta o “dom da fortaleza que nos vem do Espírito Santo” e somente o Senhor pode dar a força para acolher a vida tal como ela é, às vezes contraditória, inesperada e decepcionante.

“Temos que deixar de lado nossa ira e decepção, e abrir espaço – sem nenhuma resignação mundana e com uma fortaleza cheia de esperança – para o que não escolhemos, mas está aí. Acolher a vida dessa forma nos apresenta um significado oculto. A vida de cada um de nós pode milagrosamente recomeçar, se tivermos a coragem de vivê-la segundo o que nos diz o Evangelho. E não importa se agora tudo parece ter tomado um rumo equivocado e se algumas questões são irreversíveis. Deus pode fazer brotar flores entre as rochas”, enfatiza Dom Poli.

O Primaz da Argentina, enquanto chama a ter confiança de que no final o Deus da vida prevalecerá, conclui sua mensagem com um convite aos fiéis a não se deixarem dominar pela realidade que carrega um sentido de existência com suas luzes e sombras. Recorda, ademais, de que a fé dá sentido a cada acontecimento, feliz ou triste. “Por isso – acrescenta – longe de nós pensar que acreditar significa encontrar soluções fáceis que nos confortem. A fé que Cristo nos ensinou é, por outro lado, a que vemos em São José, que não buscou atalhos, mas enfrentou ‘com os olhos abertos’ o que lhe acontecia, assumindo a responsabilidade em primeira pessoa.”

Vatican News Service – ATD

 

Via: vaticannews.va/pt

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