Frases de Santos

Formação › 20/11/2020

A unidade entre o Pai e o Filho na revelação

 

A partir da encarnação de Jesus Cristo, Verbo Encarnado, podemos perceber que realmente, Ele é a manifestação máxima do amor de Deus Pai, pois, em Jesus vemos o cumprimento das promessas feitas no Primeiro Testamento. Jesus é o centro da História da Salvação[1]. “Cristo é, pois, o centro da história, porque é o ápice e a plenitude da revelação[2]. Jesus, sendo a Palavra de Deus encarnada, ou seja, o Filho de Deus feito homem, é o mediador absoluto da revelação, que traz a salvação e N’Ele se revelou a vontade salvífica de Deus[3].

A encarnação dá realidade ao acontecimento revelado por excelência, porque é o encontro de Deus com o homem e do homem com Deus, com base na união que há entre divindade e humanidade no mistério de Cristo. Ele, o Filho de Deus feito homem, é a perfeita revelação, pois vem falar, pregar, ensinar e atestar o que viu e ouviu. Desse modo, a encarnação é o caminho escolhido por Deus para revelar-se, através da qual torna possível em nível humano o conhecimento de Deus e seu desígnio salvífico[4].

O Concilio Vaticano II afirma que “Jesus Cristo, portanto, Verbo feito carne, enviado como ‘homem aos homens’, ‘profere as palavras de Deus’ (Jo 3,34) e consuma toda obra salvífica que o pai lhe confiou (cf. Jo 5,36; 17;4)”[5]. Portanto, a entrada de Jesus na história foi iniciativa de Deus Pai, ou seja, por amor à humanidade e, para que todos se salvassem, Deus enviou seu Filho que durante a sua vida sempre nos revelou Deus. “O envio salvífico do Filho manifesta-nos em derradeira profundidade quem é Deus Pai”[6]. Toda ação de Jesus nos revela o amor e a vontade de Deus a nosso respeito, “que todos se salvem”.

Ao mesmo tempo que Jesus revela-nos o mistério do Pai, Ele também revela-nos o seu próprio mistério de Filho: “a revelação é auto revelação. O ‘Deus loquens’ do AT se torna ‘Christus loquens’ no NT para significar com isso que revelação de Deus é agora a revelação de Cristo[7]”. Deus ao revelar Jesus a Paulo, também lhe confiou a missão de anunciá-lo aos gentios, ou seja, às nações (Cf. Gl 1,16), o Apóstolo é chamado a anunciar um Deus que é Pai de Jesus Cristo, para a salvação do mundo[8].

Em relação à auto Revelação de Deus por meio de Jesus Cristo, podemos perceber que toda vez que Jesus é chamado de Filho de Deus é nítido que o Pai é lembrado pelo termo Deus (Cf. Gl2,20. 1,16. 4,4;  2Cor 1,19. 8,17.39, Rm 8,31s; Ef 5,5; Tt 1,1), portanto, Jesus ao ser apresentado como imagem de Deus é a paternidade de Deus que é lembrada[9]. Jesus revela o Pai porque ele é o Verbo encarnado, pronunciado ao mundo, que anuncia o mistério de Deus. Jesus por ser gerado pelo Pai, Ele revela o Pai e Deus que é fonte de toda revelação comunica seu segredo ao Filho que ele gera no mundo, “o Verbo se fez carne” (Jo 1,14).

Jesus é a verdade revelada (Cf. Jo 14,6), Ele é a verdade que nos conduz a Deus e nos ensina como caminhar por meio de seus exemplos e vivência, pois, Cristo é dom de Deus em Sua filiação.  Enquanto Filho, ele também é a revelação, é o caminho que leva ao Pai, o mediador da verdade e dom da vida[10]. Quem vê Jesus vê o Pai (cf. Jo 14,9). “São vários os caminhos pelos quais Jesus introduz os homens no conhecimento do pai. Ele fala e age, mas, sobretudo e em primeiro lugar ele é o Filho. Em tudo isso ele narra o mistério de Deus[11].

Jesus é o Sujeito e o objeto da revelação. “O verbo de Deus é por si mesmo, desde toda eternidade, a expressão viva e completa do Pai e porque possui a mesma natureza do Pai, Cristo é o Deus que se revela. Ele é causa e autor da revelação, como também o é o Pai e o Espírito Santo. Ele foi enviado pelo Pai para comunicar a plenitude da manifestação divina[12].  Portanto, concluímos que, ao mesmo tempo em que Cristo é o Deus Revelado e que dá testemunho de si mesmo e anuncia Deus Pai, Ele é Deus, ou seja, um único Deus verdadeiro (Cf. Jo 17,3).

 

Pe. Leandro Couto

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[1] Cf. Octavio Ruiz ARENAS, Jesus, epifania do amor do Pai, 1995, p. 103.

[2] Ibidem.

[3] Octavio Ruiz ARENAS, op. cit., p.108.

[4] Idem, p. 108-109.

[5] DV, n. 4.

[6] MyS III/1, p. 69.

[7] Octavio Ruiz ARENAS, op. cit., p. 109.

[8] Cf. François-Xavier DURRWELL, op. cit., p. 10.

[9] Cf. Idem, p. 12.

[10] Cf. François-Xavier DURRWELL, op. cit., p. 17-18.

[11] Ibidem, p. 19.

[12] Octavio Ruiz ARENAS, op. cit., p. 110.

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