Frases de Santos

Homilia › 19/10/2020

A riqueza que agrada a Deus

 

 

Precisamos nos preocupar em enriquecer, não de bens materiais, mas de caridade aos olhos de Deus. Jesus censura o homem rico, que se alegra com as riquezas, sem saber que está muito próximo da morte, pensando apenas em si mesmo, não se lembrando dos pobres.

Precisamos enriquecer aos olhos de Deus, em caridade. Na carta aos Efésios encontramos hoje um exemplo de caridade. S. Paulo escreve a pagãos convertidos ao cristianismo e celebra a unidade realizada por Deus, em Cristo, entre os Judeus, o povo eleito, e os pagãos: “Irmãos: Vós estáveis mortos pelas vossas faltas e pecados” (v. 1). O Apóstolo não mistifica a realidade: estavam em pecado. Mas continua imediatamente: “Como eles, todos nós nos comportámos outrora…de tal modo que estávamos sujeitos por natureza à ira divina, precisamente como os demais” (v. 3).

Paulo insiste sobre a sua indignidade diante de Deus. Poderia ter acumulado tesouros para si, sublinhando a riqueza religiosa dos Judeus em relação à miséria dos pagãos, e isso seria verdade, porque os judeus tinham uma vida religiosa e moral melhor do que os pagãos. Mas não o fez: pôs-se, pelo contrário, ao mesmo nível dos pagãos, com todo o seu povo, para juntamente com eles receber a graça de Deus. Isto é caridade. Escreve o Apóstolo: “Mas Deus, que é rico em misericórdia, pelo amor imenso com que nos amou, precisamente a nós que estávamos mortos pelas nossas faltas, deu-nos a vida com Cristo é pela graça que vós estais salvos” (vv. 4-5). Deus é rico em misericórdia e, diante d´Ele, estamos todos ao mesmo nível.

Deste modo, Paulo manifesta, em relação aos pagãos convertidos, uma caridade delicada, uma caridade que é difícil quando nos sentimos superiores aos outros que, segundo o nosso modo de ver, não fazem coisas boas. E abandonamo-nos a um instintivo sentimento de soberba, pensando: nós não somos assim! “Obrigado, Senhor, porque não sou como os outros homens!” – rezava o fariseu (cf. Lc 18, 13).

A caridade, pelo contrário, aproxima-nos dos outros. Também nós somos capazes de fazer o mal, como e mais do que os outros e, se não o cometemos, foi por infinita bondade e misericórdia de Deus para conosco.

«Implicados no pecado, mas participantes na graça redentora…, queremos unir-nos a Cristo presente na vida do mundo e, em solidariedade com Ele e com toda a humanidade e a criação inteira, oferecer-nos ao Pai como oblação viva, santa e agradável (cf. Rm 12,1).

A nossa vocação de oblatos e reparadores, torna-nos solidários com todos os homens, também com os pecadores, em cujo número nos incluímos. Mas também queremos tornar-nos solidários com Cristo, e com os nossos irmãos na fé, para colaborarmos na sua promoção, na sua evangelização e no seu crescimento humano e espiritual. A nossa “solidariedade”, tal como a de Cristo, não deve ser somente “afectiva”: «Vendo as multidões, sentiu compaixão por elas, porque eram como ovelhas sem pastor» (Mt 9, 36); mas “efectiva”: Jesus multiplica os pães (cf. Mc 8, 1-9), cura os doentes (cf. Mt 15, 30), “anuncia a Boa Nova aos pobres” (Lc 4, 18).

Temos consciência da graça redentora, fruto do amor incomensurável de Deus para conosco.

via: Dehonianos PT.

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.