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Formação › 14/10/2020

A ação reveladora de Deus na História da Salvação, Parte II

Ao olharmos para a história da salvação, podemos perceber que a criação, as coisas criadas, revela-nos seu criador. “A revelação sobrenatural pressupõe a revelação natural. A revelação natural… ocorreu na obra da criação, por meio das ‘res creatae’, na ‘creatura mundi’. A respeito destas coisas se diz que elas nos fazem reconhecer e a ver Deus como princípio e fim de todas as coisas”[1]. Ao olharmos para obra da criação, reconhecemos o seu autor.

Temos uma homogeneidade e correspondência entre a ordem da criação e a ordem da salvação, a partir dos relatos bíblicos tanto do Primeiro Testamento quanto do Novo. Partindo das experiências das maravilhas realizadas por Deus, senhor da História da salvação, a fé do povo de Israel chega à confissão do Deus Criador[2].

No Primeiro Testamento encontramos diversas representações de revelações, temos por exemplo: nos discursos dos profetas a palavra de Deus está por detrás das palavras do profeta, tradição do oráculo, inspiração, ideia de duplo autor. Em relação ao discurso narrativo temos a representação do agir e do sofrer do homem; no discurso prescritivo, a ideia do mandamento como expressão da vontade de Deus. Temos uma representação de um horizonte divino de sentido na criação no discurso sapiencial. No discurso lírico dos salmos temos a formação dos sentimentos pelo idêntico objeto divino. No discurso apocalíptico temos a representação do desvelamento do oculto plano histórico divino. Portanto, em relação à teologia da revelação do Primeiro Testamento pode-se descobrir na correspondente determinação destas representações[3].

Por amor Deus fala aos homens como amigos, mediante a revelação.[4] Ele usa da revelação para se auto comunicar ao homem com o intuito de salvá-lo, ou seja, uma iniciativa divina para a salvação dos homens[5].

O centro da revelação veterotestamentária é “Javé”, Deus que mostrou ser o cumprimento das suas promessas, juntamente com a pluralidade das experiências históricas de Israel[6].

A experiência do povo de Israel com Deus foi por meio de sua palavra, mesmo Moisés, não viu a face de Deus (Cf. Ex 33, 20; Is 6,5). Fica evidenciado que a experiência do “ouvir sua voz” é muito comum no Primeiro Testamento[7]. “O shemah Israel permanecerá na história do povo como o emblema constitutivo em seu relacionamento com o senhor… A ‘palavra’ revelada inspira, dirige e determina a história de um povo ao longo das vicissitudes típicas de sua formação como povo e de sua organização como tal”[8].

O povo de Israel somente fica sabendo da existência de Deus por meio da palavra de “Iahweh”, pois para os semíticos a palavra não se distingue em quase nada daquele que a pronuncia. Na concepção do povo de Israel, o Deus verdadeiro é o Deus que fala ao seu povo[9].

Deus manifestou-Se e Comunicou-Se revelando os decretos eternos de sua vontade acerca da salvação dos homens, para que o homem participasse dos bens divinos que está acima da capacidade da mente humana[10]. Podemos concluir que a plenitude da revelação de Deus é o Cristo, Verbo feito carne, que foi enviado a nós como homem, que consuma a obra salvífica que Deus Pai lhe confiou[11].

 

Padre Leandro Paulo do Couto

Comunidade Canção Nova

 

Leia Também:

 

6º – A ação reveladora de Deus na História da Salvação, Parte I

 

5º – A Criação como origem permanente da Salvação, Pate II

 

4º – A Criação como origem permanente da Salvação, Pate I

 

3º – Homem e Mulher os Criou (Gn 1,27)

 

2º – Manifestação do amor de Deus por meio da criação

 

1º – Liturgia: Mistério Pascal na história da salvação

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[1] MyS I/1, p. 176.

[2] Cf. Bruno FORTE, Teologia da História: Ensaio sobre a Revelação, o início e a consumação, 2009, p. 147-148.

[3] Cf. Peter EICHER, Revelação, in Dicionário de Conceitos Fundamentais de Teologia, 1993, p. 795-796.

[4] Cf. DV 2.

[5] Cf.  B. SESBOÜÉ, Das Origens ao Concílio de Trento – Apologia da fé e método do discurso dogmático, in Bernard SESBOÜÉ, Christoph THEOBALD, História dos Dogmas: A Palavra da Salvação, 2006, p. 99. (Tomo 4).

[6] Dorothea SATTER; Theodor SCHNEIDER, Doutrina Sobre Deus, in Theodor SCHNEIDER, Manual de Dogmática, 2001, p. 66. (v. 1).

[7] Cf. Rino FISICHELLA, Introdução à Teologia Fundamental, 2012, p. 71.

[8] Ibidem.

[9] Cf. Idem, p. 72.

[10] Cf. VD 6.

[11] Cf. VD 4.

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