Frases de Santos

Formação › 02/10/2020

A ação reveladora de Deus na História da Salvação, Parte I

Ao longo da história da salvação Deus falou de diversas maneiras ao seu povo. Em hebreus o autor afirma que “muitas vezes e de modos diversos falou Deus, outrora, aos Pais pelos profetas; agora, nestes dias que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e pelo qual fez os séculos. É ele o resplendor de sua glória e a expressão do seu ser” (Hb 1,1-3a).

Deus falou a seu povo de diversas maneiras ao longo da história de Israel. Estes relatos, no Primeiro Testamento, foram alimentando a fé deste povo. E estes relatos continuam sendo fontes também do nosso conhecimento de Deus[1]. Pois, “Deus dá-Se-nos a conhecer como mistério de Amor infinito, no qual, desde toda a eternidade, o Pai exprime a sua Palavra no Espírito Santo. Por isso, o Verbo que desde o princípio está junto de Deus e é Deus, revela-nos o próprio Deus no diálogo de amor entre Pessoas divinas e convida-nos a participar nele”[2].

RAHNER afirma que “a história universal da salvação, como mediação categorial da transcendentalidade do homem é coexistente com a história universal do mundo, é também ao mesmo tempo história da revelação, a qual, em razão disto. É coextenciva a toda a história do mundo e da salvação”[3]. Ao se dar a conhecer Deus revela a sua mais íntima essência. “O Trino Deus se abre em nossa história como aquele que Ele é: Pai, Filho e Espírito. ‘O credo trinitário é por isso, a fórmula da fé cristã por excelência e o enunciado crucial da compreensão cristã Deus. Ele define o conceito de Deus via história da Revelação, fundamenta essa história na essência de Deus’”[4]. Deus se auto revela ao homem em sua totalidade.

Ao se revelar, Deus se auto comunica ao homem e, percebemos isso, de forma mais clara nos escritos bíblicos. Para os cristãos a Revelação de Deus “significa autocomunicação pessoal de Deus com a pessoa humana. Os escritos bíblicos fazem Deus falar como um eu ao tu que é o povo ou o indivíduo. Deus revela seu nome. A mensagem de salvação que é esse nome ‘Javé’ não define, não delimita a essência de Deus, mas a exprime para o ser humano e insere o estado de salvação do ser humano na auto definição da essência divina”[5]. Na primeira carta de João o autor faz uma síntese do testemunho de toda revelação bíblica afirmando que “Deus é Amor” (1Jo 4, 8.16). A partir de uma interpretação trinitária do mistério de Deus que o desdobramento e a reflexão intelectiva dessa verdade de fé terá êxito[6].

É Deus quem revelou seu nome a Moisés, e através dele revelou-se a todo o povo. É o único que libertará Israel, também será este Deus que irá manifestar seu poder de diversas formas na história de seu povo[7].

Continua…

 

Padre Leandro Paulo do Couto

Comunidade Canção Nova

 

 

Leia Também:

 

5º – A Criação como origem permanente da Salvação, Pate II

 

4º – A Criação como origem permanente da Salvação, Pate I

 

3º – Homem e Mulher os Criou (Gn 1,27)

 

2º – Manifestação do amor de Deus por meio da criação

 

1º – Liturgia: Mistério Pascal na história da salvação

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[1] Cf. Dorothea SATTER; Theodor SCHNEIDER,  Doutrina sobre Deus, in Theodor SCHNEIDER, Manual de Dogmática, 2001, p. 56. (v. 1).

[2] VD 6.

[3] Karl RAHNER, Curso Fundamental da fé: Introdução ao Conceito de cristianismo, 1989. p. 178.

[4] Dorothea SATTER; Theodor SCHNEIDER, Doutrina Sobre Deus, in Theodor SCHNEIDER, Manual de Dogmática, 2001, p. 55. (v. 1).

[5] Dorothea SATTER; Theodor SCHNEIDER, Doutrina Sobre Deus, in Theodor SCHNEIDER, Manual de Dogmática, 2001, p. 105. (v. 1).

[6] Cf. Ibidem.

[7] Cf. Luiz F. LADARIA, O Deus Vivo e Verdadeiro: O mistério da Trindade, 2005. p. 126.

1 Comentário para “A ação reveladora de Deus na História da Salvação, Parte I”

  1. […] 6º – A ação reveladora de Deus na História da Salvação, Parte I […]

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